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Redução de impostos em medicamentos:
Uma necessidade urgente!
É de uma lógica perversa uma
legislação que impede milhões de brasileiros de realizar seu
tratamento médico em razão da elevadíssima carga tributária que
impacta diretamente sobre o preço final dos medicamentos. No Brasil
os medicamentos recolhem, somente de ICMS, entre 17% e 19% do seu
valor. A carga tributária total beira os 30%. Em nosso país,
medicamento é tratado como um produto qualquer.
Grande parte das nações desenvolvidas
considera medicamentos como gêneros de primeira necessidade, como os
alimentos. Já há alguns anos essa distorção inconcebível dos
impostos foi parcialmente resolvida no caso de alimentos que compõem
a cesta básica para alimentação. Produtos como arroz, farinha, ovos,
feijão, charque, pão, sal, salsicha, mortadela, lingüiça, sardinha e
outros pagam impostos menores, de 7%. Nossa proposta é que os
medicamentos também sejam incluídos na menor alíquota possível. No
mínimo. Pois entendemos que a alíquota no caso de medicamentos
deveria ser zero.
Essa elevada tributação nos
medicamentos aumenta o preço máximo do produto ao consumidor final,
onera as empresas que mais contribuem, acirra a guerra fiscal e
incentiva a sonegação, que é a porta de entrada dos medicamentos
roubados e falsificados no mercado – uma verdadeira ameaça à
população.
A alta carga tributária sobre
medicamentos não é só uma questão tributária, mas também de saúde
pública. Vamos tomar como exemplo a pressão alta. A hipertensão é
conhecida no mundo inteiro como a doença das metades: metade das
pessoas não sabe que tem. Da metade que tem diagnóstico – ou seja,
foi ao médico e saiu de lá com uma prescrição – metade não se trata
em função da falta de condição financeira para comprar o
medicamento. Nos EUA, onde 50 milhões de pessoas são hipertensas,
apenas 34% destes conseguem controlá-la com exercícios, dietas e
medicamentos. No Brasil, 15 milhões de pessoas são afetadas pela
doença, mas somente 3% a 5% fazem tratamento.
A verdade nua e crua é a seguinte:
como profissionais que atendem diretamente no balcão de uma
farmácia, estamos cansados de ver uma receita ser atendida somente
em uma parte em razão da renda do paciente. Em casos como o
tratamento da hipertensão, quando são prescritos três medicamentos,
o cliente decide levar apenas aquele que trata do sintoma, no caso
um produto para dor de cabeça, mas que não resolverá seu problema
principal.
É o próprio governo quem acaba
pagando a maior conta pelo fato de as pessoas não poderem realizar
seu tratamento como prescrito pelo médico. A hipertensão é a doença
que mais gera internações por implicações cardiovasculares. É uma
das maiores causadoras também de derrame e insuficiência renal,
gerando tratamentos dispendiosos e dolorosos como a hemodiálise.
Isso sem falar na baixa produtividade de tantas pessoas que se
ausentam do trabalho em função dos sintomas e suas seqüelas.
A
Abrafarma, a entidade que represento, tem levantado esta questão há
vários anos. Temos andado de gabinete em gabinete tentando mostrar o
grande absurdo que é a alta carga tributária nos remédios.
Com o objetivo de apoiar a inclusão
dos medicamentos de uso humano na menor alíquota possível de ICMS
por ocasião da discussão da proposta de Reforma Tributária, esta
entidade realizou uma campanha de apoio popular à iniciativa. A
Abrafarma reuniu 3.644.737 assinaturas de cidadãos brasileiros em 10
Estados. Já entregamos essa manifestação à Presidência da República,
aos Ministros da Saúde e da Fazenda, aos Governadores, e aos líderes
partidários da Câmara e do Senado.
Temos que encarar de forma séria tal questão. Essa deve ser uma luta
de toda a sociedade. Uma luta urgente. Não é só de fome que se morre
neste país. De falta de medicamentos também.
Sérgio Mena Barreto
Presidente-ExecutivoABRAFARMA – Associação Brasileira de Redes de
Farmácias e Drogarias |