Fonte: DCI – SP
SÃO PAULO - Listada
na Bolsa de Valores
e com os seus
negócios até o
momento apresentando
excelentes
resultados, com
crescimento de 33%
no primeiro semestre
deste ano, em
relação a igual
período de 2007, a
rede varejista de
medicamentos
Drogasil tem em seu
DNA um certo grau de
ousadia. Há mais de
dez anos, a empresa
parou de atuar nos
segmentos de
atacado, varejo e
laboratório, para
concentrar os
esforços no varejo.
Dez anos depois de
fechar 42 unidades,
das 116 que dispunha
em 1998, a Drogasil
contabiliza 211
lojas, e tem a
previsão de atingir
a marca de 260
unidades este ano.
Para falar da
estratégia da
empresa, que cresce
investindo em
governança
corporativa, o
diretor-geral e de
Relações com
Investidores,
Claudio Roberto Ely,
foi recebido pelo
jornalista Roberto
Müller, que comanda
o programa Panorama
do Brasil.
O executivo foi
entrevistado também
pela diretora de
Redação do DCI,
Márcia Raposo, em
companhia do
representante da
Rádio Nova Brasil
FM, Milton Paes.
Acompanhe agora
alguns trechos dessa
entrevista.
Roberto Müller: Como
sabemos, a Drogasil
é uma das maiores
redes de drogaria e
farmácia do Brasil.
Gostaria que o
senhor falasse um
pouco a respeito da
empresa e de seu
crescimento.
Claudio Roberto Ely:
Primeiramente
existem apenas duas
companhias de
capital aberto no
setor: a Drogasil,
que tem abrangência
maior, e a Drogaria
Admed, no Rio Grande
do Sul. A Drogasil,
no caso, já alcançou
o nível de novo
mercado, que como
sabemos, é o nível
que requer maior
exigência na Bolsa
de Valores, pois é
preciso ter todas as
ações lançadas ao
portador, regras de
transparência muito
rigorosas, um bom
estágio de
governança
corporativa.
Na verdade, o Novo
Mercado sede às
exigências da
Comissão de Valores
Mobiliários (CVM),
em que assinamos um
compromisso com a
Bolsa de ter uma
performance de
governança
corporativa acima do
mínimo exigido por
lei.
A Drogasil é uma
companhia com 73
anos com forte
presença em São
Paulo e Minas
Gerais, e que nos
últimos três anos
resolveu expandir
para outros estados,
ano passado para
Goiás e este ano no
Distrito Federal. Em
junho de 2007,
lançamos nossas
ações na Bolsa de
Valores, no nível
Novo Mercado, e
desde 2004 já
crescíamos à taxa de
25% ao ano. Há mais
de dez anos, a
empresa atuava nos
segmentos de
atacado, varejo e
laboratório.
Naquela época,
tomamos uma decisão
estratégica de
concentrar nossos
esforços no varejo.
Em 1998, a rede era
composta por 116,
dessas foram
fechadas 42.
Eu costumo dizer até
que a Drogasil pode
não ter sido a rede
que mais abriu
lojas, mas foi a que
menos fechou. Ano
passado abrimos 32,
e este ano, serão
50. Sendo que ano
passado não fechamos
nenhuma loja, apenas
ano retrasado, em
que encerramos as
atividades de uma
unidade, e este ano
fechamos uma também.
Aquelas lojas que
não atendem a um
parâmetro de
desempenho nós
fechamos. Portanto,
estamos muito
satisfeitos com
nossa rede, pois não
temos fechado muitas
lojas.
Milton Paes: Qual é
o padrão que a rede
estabelece para
estas lojas? Pois
fecham uma unidade e
a abrem em outro
ponto mais
estratégico para
rede. Pode explicar
como funciona este
procedimento?
Claudio Roberto Ely:
O varejo é a
atividade dos quatro
Ps: produto,
processo, pessoas e
ponto. Se eu tenho
os três primeiros
itens, me falta
apenas o ponto. O
que acontece e pouca
gente se dá conta é
que a cidade que
trabalhamos é um
organismo vivo, em
que basta mudar o
sentido de uma rua,
que a situação do
comércio é
transformada.
Sabemos que existem
lojas com uma
cadência de
crescimento mais
acelerada e outras
mais demoradas.
No entanto, o mais
importante é
analisar a tendência
de crescimento, se a
loja registra um bom
desempenho ela tende
a maturar, que
significa atingir no
primeiro ano de
funcionamento 50% de
sua maturação em
vendas, no segundo
75%, e que no
terceiro ela esteja
maturada. O que o
mercado assiste hoje
é o nosso vigor no
quesito de
crescimento mesmas
lojas - aquelas com
mais de um ano, algo
que corresponde ao
crescimento mais
nobre que podemos
ter, pois não estou
investindo nada e
estou crescendo.
Nosso crescimento ao
final do segundo
trimestre, neste
quesito, foi de 14%,
sendo que as lojas
com mais de três
anos crescem em
torno de 11% e
aquelas com mais de
três anos chegam até
40%. Este ano a rede
crescerá 30%. No
primeiro semestre
acumulamos 33% de
crescimento.
Roberto Müller: Este
crescimento está
relacionado à
emergência das
classes C e D?
Claudio Roberto Ely:
Acredito que parte
dele, sim. Na
verdade a Drogasil
foi sempre centrada
nessas classes, que
foi acentuada nos
últimos três anos,
após a divisão das
nossas lojas para
três públicos: A/B,
B/C e C/D. Uma loja
B/C é standard
instalada em um
bairro normal ou uma
cidade do interior.
Um exemplo de loja
para o público A/B é
a instalada na
região dos Jardins,
região nobre de São
Paulo, que possui um
mix diferenciado de
produtos.
Roberto Müller: A
rede trabalha muito
com genéricos?
Cláudio Roberto Ely:
Sim. O genérico,
pois existe alguns
medicamentos que não
trabalhamos. Mas o
genérico representa
na venda de
medicamentos, hoje,
15%. As redes
trabalham muito bem
este tipo de
medicamento e a
participação dele no
mercado tende a
aumentar, isso
porque nos próximos
anos importantes
medicamentos estarão
com a patente
vencida.
Márcia Raposo: Nos
aproximamos do mês
de outubro, em que
as empresas
desenvolvem seu
planejamento
estratégico, e hoje
o planeta parece
virar do avesso com
a crise mundial. O
que um executivo com
a sua
responsabilidade
planeja para a
Drogasil no ano que
vem?
Claudio Roberto Ely:
Primeiramente, o
varejo é uma
atividade com
remuneração menor em
relação às outras,
devido a seu risco
que é menor. Existe
basicamente um risco
sério que é a guerra
de preços. E quando
se está em vários
mercados, como é o
caso da Drogasil,
este risco é
atenuado. Mesmo no
setor de
medicamentos a
cadência da economia
tem importância,
principalmente nas
classes menores, com
maior poder
aquisitivo. Pois o
medicamento é
prioridade para uma
classe social e para
outra, não é.
A primeira é o
alimento, que no
primeiro semestre
sofreu com a
inflação e secou o
bolso da população.
Uma curiosidade é
que não existe uma
sazonalidade, mas
sim uma sazonalidade
dentro do mês. Nosso
melhor dia de vendas
é o quinto dia útil.
E existe uma
diferença marcante
entre uma loja nos
Jardins e uma de
shopping, onde 60%
das vendas são no
cartão de crédito,
30% em dinheiro e o
restante em cheque.
Em uma loja para o
público de menor
poder aquisitivo,
cerca de 70% das
compras são pagas em
dinheiro, pois o
cartão de crédito
tem baixa penetração
nas classes menos
favorecidas.
Dos mercados que
atuamos, o mais
importante ainda é
São Paulo, e temos
9% deste estado. Já
no mercado nacional,
nosso espaço chega a
3,94%.
Tendo alguma crise
ou problema
econômico, com
certeza seremos
afetados, mas seria
muito mais afetado
se tivesse 30% do
mercado. Estou
convicto que a
Drogasil tem
instrumentos
gerenciais mais bem
estruturados que a
média do mercado,
então, consigo
crescer na
ineficiência de
outros também.
Milton Paes: O
senhor acredita que
de alguma forma o
Brasil está
blindado?
Claudio Roberto Ely:
O Brasil tem
fundamentos
econômicos muito
fortes, mas dizer
que é blindado é
difícil. Hoje,
inclusive, eu acho
que é uma atitude
muito usada. A
verdade é que a
globalização da
economia traz um
imbricamento que é
muito difícil dizer
logo de primeira se
ocorrerá ou não
algum problema. Por
que os bancos
centrais estão
socorrendo
instituições
financeiras? Eles
sabem que isso tem
reflexo e pode
chegar em outros
quintais.
Roberto Müller: A
Drogasil ganhou o
Prêmio Abrasca e
Criação de Valor aos
Acionistas. Gostaria
que o senhor
explicasse a
importância disso
para a companhia.
Claudio Roberto Ely:
É uma premiação que
reconhece a
companhia que mais
cria valor ao
acionista, em que
concorremos com
todas as empresas de
capital aberto do
Brasil. São
realizadas
entrevistas com
vários analistas de
mercado para saber a
relação com a
empresa e mais 15
entidades ligadas ao
mercado de capitais.
Ficamos surpresos,
principalmente por
sermos novos no Novo
Mercado.
Roberto Müller: O
que é dar mais valor
ao acionista?
Claudio Roberto Ely:
É aumentar o
patrimônio líquido
da empresa, seu
valor de mercado.
Tínhamos um
patrimônio líquido
de R$ 130 milhões
quando entramos na
Bolsa de Valores e o
valor da companhia
quando foi lançada
no Novo Mercado foi
de R$ 900 milhões.
Criamos valor e
mantivemos a
governança
corporativa clara e
mantendo contato com
mercado, sem
problema nenhum com
o acionista. A
grande dificuldade é
que somos comparados
com o varejo e o
varejo, embora
pareça tudo igual,
loja de utilidades,
supermercado e
farmácia são
negócios distintos.
E no nosso caso não
temos benchmarking
para comparar.
Existem, por
exemplo, números da
Associação
Brasileira de Redes
de Farmácias e
Drograrias
(Abrafarma),
atestando que nosso
desempenho é bem
acima da média do
mercado. Mas não é
justo ser comprado
aos outros setores.
Muitas pessoas não
se dão conta de que
75% dos produtos com
os quais trabalhamos
têm preço controlado
no País.
Os medicamentos
possuem dois tetos:
um é o preço de
fábrica, em que o
fornecedor, podendo
ele praticar o
máximo e o preço que
podemos praticar com
o cliente. E como eu
faço a nossa margem?
Negociando o preço.
Costumo dizer que no
varejo não se ganha
dinheiro vendendo,
se ganha dinheiro
comprando, pois o
preço de venda quem
faz é o mercado.
Roberto Müller:
Quantos acionistas a
empresa tem e quanto
por cento do capital
está na mão do
público.
Claudio Roberto Ely:
Aproximadamente 1,3
mil acionistas e
48,4% do capital
estão na bolsa.
Felizmente temos uma
longa parcela destes
acionistas que são
de médio e longo
prazo. Têm vários
fundos de
investimento e
investidores que
estão conosco desde
o IPO [sigla para
oferta inicial de
ações, em inglês] e
alguma razão eles
devem ter para
ficar.
Márcia Raposo: Já
que estamos falando
deste assunto, neste
momento, que a
empresa do senhor
está tão
capitalizada e o
mundo tão combalido
e tanta gente deve
passar por sua porta
precisando de
capital ou sócio. É
estudada a
possibilidade de
alguma fusão ou
aquisição no setor
de farmácia, pois
são mais de 112
redes no Brasil,
algo muito
pulverizado.
Claudio Roberto Ely:
Temos analisado o
mercado. Procuramos
um crescimento
balanceado. Toda vez
que abrimos alguma
loja ou compramos
algo, buscamos
adquirir uma empresa
com desempenho menor
que o nosso. Se
comprar uma empresa
com desempenho
semelhante ou igual
fica difícil pagar
por isso, então,
toda vez que vamos
comprar oferecemos o
preço que ela vale,
mas antevendo qual
será o lucro com o
negócio. Somos
adeptos de pequenas
aquisições e todos
os mercados que
atuamos objetivamos
ser no mínimo o
segundo ou terceiro
colocados, por uma
razão simples: assim
conseguimos diluir
custos de
propaganda,
supervisão e vende a
rede como um todo,
se envolvendo com a
comunidade local.
Temos um cartão
fidelidade com base
de 7,2 milhões de
cartões emitidos,
sendo que metade
desses clientes
compra todo mês na
rede. Se o cliente
tiver o cartão
Drogasil pode
comprar tanto na
loja do bairro em
que mora quanto em
Brasília (DF),
sempre com o mesmo
atendimento. Logo, é
oferecido ao cliente
a rede Drogasil, que
disponibiliza 248
unidades para
atendê-lo. Fechamos
2007 com 211 lojas e
pretendemos fechar
este ano com 260
unidades.
Milton Paes: Existe
uma preocupação da
Drogasil de investir
no funcionário. Qual
é a política adotada
pela rede em relação
aos funcionários?
Igualmente aos
outros segmentos do
varejo, a
rotatividade de
funcionários
[turn-over] nas
áreas da companhia é
alta?
Claudio Roberto Ely:
De maneira geral, o
turn-over no varejo
é alto, mas no nosso
caso este índice é
assustadoramente
baixo. Certa vez,
uma empresária falou
de turn-over no
varejo brasileiro, e
que este número
chega à casa dos 45%
ao ano. O nosso gira
em torno de 27%, que
não é uma taxa alta,
porém, ainda aquém
do mercado. Este
movimento acontece
muito mais na esfera
dos pontos-de-venda,
porque na
administração
central da companhia
esse número é
praticamente zero.
Quando se está
trabalhando em
determinado ramo
deve-se conhecer o
seu negócio, e na
Drogasil são apenas
dois: serviço e
logística. Ambos
devem estar em
perfeitas condições
de funcionamento.
A pessoa quando vai
à farmácia não é que
nem comprar uma
gravata ou um
sapato, normalmente,
ela vai lá porque
precisa e temos que
atendê-lo.
Por isso, o custo de
carregamento de
estoque em uma
farmácia é muito
grande. É comum
quando um cliente
chega com uma
receita com quatro
medicamentos
prescritos no
estabelecimento, se
por acaso não tiver
algum item, ela
acaba não levando
nenhum, o que
chamamos de perda
cruzada. Tem outros
critérios relevantes
em relação ao
turn-over, já que a
Drogasil também é
uma opção de
primeiro emprego e
não recrutamos
ninguém de fora.
O funcionário inicia
e temos um plano de
carreira dentro da
loja e fora dela. Na
Drogasil, ainda,
quando entrevistamos
um candidato - e
somos rigorosos
neste processo de
admissão -,
procuramos descobrir
quais são os sonhos
das pessoas. Desta
forma, descobrimos
que determinado
funcionário gosta de
informática, então,
o incentivamos a
fazer a estudar esta
área, já que na
empresa temos algo
que chamamos de
Plano de
Oportunidade
Drogasil [POD] e se
aparecer uma vaga de
informática ela não
será preenchida até
consultarmos todos
os funcionários da
empresa. Caso não
tenha alguém com a
aptidão que atenda
os requisitos da
vaga é que vamos
buscar fora. E não
buscamos ninguém de
fora nos últimos
três anos.
Roberto Müller: O
segmento de
cosméticos
representa quanto
por cento nas vendas
da empresa? É algo
que está avançando
bastante?
Claudio Roberto Ely:
Embora estejamos
crescendo bem no
setor de
medicamentos, houve
uma época que esse
tipo de venda
representava 77% do
faturamento e 23%
não-medicamento.
Este ano a média
está em 73%
medicamento e 27%
não-medicamento.
Esta área cresceu
basicamente
suportada no
dermocosmético, que
hoje é considerado
fashion no mercado,
por serem produtos
de alto valor
agregado. É um
mercado muito
importante no País,
e julgo que seja,
pois todas as
grandes companhias
como L'Oréal, Nivea,
Johnson & Johnson e
outras estão
investindo
fortemente nesta
área por aqui.