Fonte: O Estado de
São Paulo
Aquisição de US$ 130
milhões em ações da
Cosan, anunciada
ontem, é parte da
nova estratégia
Nicola Pamplona, RIO
A Gávea
Investimentos,
gestora de recursos
liderada pelo
ex-presidente do
Banco Central
Armínio Fraga,
aproveita a crise
financeira para ir
às compras. O
primeiro passo foi
dado ontem, com o
anúncio de acordo
para aquisição de
até US$ 130 milhões
em ações da Cosan
Limited,
controladora da
Cosan S.A. líder no
mercado
sucroalcooleiro, que
adquiriu
recentemente a rede
Esso de postos de
combustíveis. E o
movimento não pára
por aí: "A hora de
investir é perfeita,
é espetacular", diz
um dos sócios da
Gávea, Luiz Fraga.
O executivo
argumenta que os
baixos preços dos
ativos hoje em dia
criam boas
oportunidades para
investimentos de
longo prazo, como
alguns fundos da
Gávea, que têm prazo
de retorno de até 10
anos. Mesma
estratégia vem sendo
posta em prática
pelo megainvestidor
americano Warren
Buffett, que
aproveitou a crise
para adquirir ações
baratas de gigantes
como GE e Goldman
Sachs. "É um bom
exemplo a ser
seguido", diz o
sócio da Gávea.
No acordo fechado
com os controladores
da Cosan, a Gávea se
comprometeu a pagar
US$ 7,90 por ação da
Cosan Limited, valor
equivalente, ao
câmbio de ontem, a
R$ 15,80, ou 33,6% a
menos do que a
cotação máxima de R$
26,80, atingida em
março.
Segundo analistas, o
modelo da operação
denota as
dificuldades que a
Cosan vem
encontrando para
captar recursos
necessários a
projetos de expansão
e para o pagamento
da rede Esso,
negócio de US$ 826
milhões. A companhia
optou por um aumento
de capital da Cosan
S.A, mas frente ao
risco de não
encontrar
investidores
dispostos, o aporte
será feito pela
Cosan Limited,
reforçada com a
operação anunciada
ontem. Procurada, a
Cosan não se
manifestou.
"A Cosan é líder e é
consolidadora
natural de um setor
que vai passar por
dificuldades, como
todo setor que
precisa de dívidas,
mas com grande
potencial de
crescimento no
futuro", comenta
Fraga. Dependendo da
participação dos
minoritários, o
aporte de recursos
da Gávea deve
oscilar entre US$ 90
milhões e US$ 130
milhões; os
controladores
entrarão com US$ 50
milhões.
Os detalhes das
negociações entre a
Gávea e a Cosan não
foram revelados, mas
Fraga garantiu que
foi um acordo
"rápido". E adiantou
que espera
oportunidades
semelhantes no curto
prazo. "Vai mudar o
tom da conversa. Os
próximos meses vão
ser bons para
investir."
Anteontem, a Gávea
anunciou, junto com
o fundo Pragma, a
compra de 30% da
Droga Raia. Embora o
negócio venha sendo
negociado há dois
meses, a entrada dos
fundos foi
facilitada pela
crise. "Preparamos
uma abertura de
capital no ano
passado, mas depois
entendemos que não
valeria a pena",
lembra o presidente
da rede paulista de
farmácias, Antônio
Carlos Pipponzi.
Assim, para manter o
ritmo de
investimentos, a
empresa procurou os
investidores.
Colaborou Tatiana
Freitas