Rumo ao interior  

Fonte: Revista Guia da Farmácia
 

Para ganhar volume, participação de mercado e garantir a lucratividade, redes de farmácias e drogarias invadem os quatro cantos do País

 

As grandes redes de drogarias, que hoje contam com 4 300 unidades, estão cruzando as fronteiras estaduais e expandindo seus domínios. Só as 2 mil afiliadas à Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) já estão presentes em 22 Estados e 250 cidades. Nos últimos 24 meses, foram abertas mais de 300 novas lojas. Para este ano, a expectativa é que surjam, pelo menos, 180 novas unidades afiliadas à associação, um investimento de aproximadamente R$ 90 milhões. Para entender a razão das altas somas de recursos aplicados, basta verificar quanto o setor faturou no primeiro quadrimestre deste ano: R$ 2,81 bilhões, uma elevação de 22,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Portanto, em tempos de estabilidade da moeda e economia aquecida, o negócio das redes vai de vento em popa. Tanto que os grandes supermercadistas estão de olho nisso: planejam dobrar o número de farmácias próprias até 2012 para aumentar sua participação.

 

Além disso, de acordo com a Abrafarma, uma loja de rede - seja de grandes conglomerados, associativista ou de supermercado - fatura 10 vezes mais que uma drogaria independente. "As 7 mil lojas de rede do País detêm aproximadamente 50% do mercado brasileiro. A outra metade do bolo é dividida entre as 50 mil farmácias restantes", diz o presidente executivo da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto. O mercado é tão promissor que já atrai investidores externos. Em maio deste ano, a rede carioca Drogasmil, que tem mais de 90 lojas no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Paraná, foi vendida ao grupo mexicano Casa Saba, um dos líderes em distribuição de produtos farmacêuticos no México, em um negócio avaliado em US$ 115 milhões (R$ 195 milhões).

 

“Depois de inaugurar no Rio de Janeiro e Espirito Santo, Drogaria Onofre tem como meta se expandir para mais dois estados.” Carlos Marques Superintendente da Drogaria Onofre

 

A concentração do mercado não se resume à participação no faturamento, "também atinge a venda de remédios por Estado", revela a Abrafarma. Sete Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Bahia) consomem 75% dos medicamentos comercializados no Brasil, ou mais de 1 bilhão por ano. São características como essa que fazem da Drogaria São Paulo a segunda em faturamento da Abrafarma, mas somente a sexta em número de filiais. Quem não gostaria de alcançar a mesma performance?

 

Dada a concentração de lojas nos grandes centros, alguns especialistas acreditam que o mercado possar chegar à exaustão em breve. "Quem estiver se expandindo nesses locais deve fazer uma análise muito criteriosa", aconselha o consultor de marketing no varejo do Sebrae-SP, José Carmo Vieira de Oliveira.

 

"HOUVE UMA MUDANÇA DE PERFIL, AS LOJAS PASSARAM A SER DE CONSUMO E A TER VÁRIAS OPÇÕES, COMO PERFUMES, PRODUTOS COSMÉTICOS, DE HIGIENE E LIMPEZA E ATÉ DE ALIMENTAÇÃO"

RicardoTarabay, Professor da ESPM

A Drogaria São Paulo, líder no mercado paulista de drogarias e com mais de 220 lojas no Brasil, pretende aumentar as vendas em 30% este ano e inaugurar pelo menos 50 lojas, segundo o superintendente da rede, Marcus Paiva. Já estreou nos mercados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais e vai abrir novas filiais na Bahia e no Ceará. O investimento gira em torno de R$ 500 a R$ 600 mil e faz parte de um total de R$ 25 milhões. A expectativa é um faturamento mensal de R$ 400 mil por loja.

 

 

 

“ A rede de Farmácias Pague Menos está preparada para triplicar o tamanho da empresa. A meta é chegar a 400 lojas, em mais de 160 cidades do país,até 2012.” Deusmar Queiroz , Presidente da Rede de Farmácias Pague Menos

 

RUMO AO INTERIOR

 

A solução é espraiar os domínios para lugares pouco explorados. "Temos 5.600 municípios, ainda há muito que expandir", garante o professor de marketing da USP José Lupoli Jr., consultor do Programa de Administração de Varejo (Provar). Ele compara o cenário brasileiro atual ao mercado americano. "Lá, as duas maiores redes contam com mais de 6 mil lojas cada uma e não há sinais de saturação", conclui.

 

A cearense Pague Menos conta com cerca de 300 filiais, em praticamente todos os Estados, com exceção de Roraima e do Amapá. O presidente da rede de farmácias Pague Menos, Deusmar Queirós, não revela quais são os planos de expansão. O grupo inaugurou um centro de distribuição com 30 mil metros quadrados e anuncia que está preparado para triplicar o tamanho da empresa, que faturou R$ 1,29 bilhão em 2007. "A meta é chegar a 400 lojas, em mais de 160 cidades, até 2012 e abocan har 10% do market share da venda de medicamentos no País", revela.

 

Em quarto lugar no ranking nacional da Abrafarma, a Drogasil já colhe os frutos da expansão que iniciou em 2007, com a inauguração de 32 novas lojas. Somadas à incorporação de 24 lojas da rede Vison em Brasília, em fevereiro, e às nove lojas inauguradas até junho, registrou crescimento de 33,7% na receita bruta, no segundo trimestre de 2008, em relação ao mesmo período de 2007, alcançando R$ 329,7 milhões. "A incorporação da rede Vison trará importantes benefícios à operação da Drogasil, o que poderá ser mais bem observado nos resultados da companhia nos próximos trimestres", diz o diretor de relações com investidores e CEO da Drogasil, Cláudio Roberto Ely.

 

O professor Ricardo Tarabay, que leciona nos cursos de graduação e MBA da ESPM de São Paulo, ressalta que as farmácias das grandes redes que estão chegando ao interior não disputam só em termos de preço com as tradicionais. "Houve uma mudança de perfil, elas passaram a ser lojas de consumo e a ter várias opções, como perfumes, produtos cosméticos, de higiene e limpeza e até de alimentação", explica. Por isso, Tarabay aconselha as drogarias tradicionais a investirem fortemente na diversificação de produtos e serviços e em ações de fidelização de clientes.

 

A Farmais, maior rede do Brasil, diz que sua entrada no mercado local, principalmente em localizações mais afastadas, tem estimulado reformas no comércio dessas regiões. A rede possui 480 lojas, distribuídas em aproximadamente 210 municípios. Já inaugurou 28 lojas este ano e pretende abrir mais 42 até dezembro. Futuramente, pretende entrar no Espírito Santo, em Mato Grosso e Goiás.

 

A Drogaria Onofre também inaugurou lojas em Porto Alegre, no Rio de Janeiro e em Vitória e tem como meta se expandir para mais dois Estados. De acordo com o superintendente comercial da rede, Carlos Marques, ela cresceu 15% em 2007. "Atualmente, existem 34 unidades, das quais cinco são megastores. Cada loja demanda um investimento médio de R$ 2,5 milhões", revela.