Em Busca de Conveniência  

Fonte: Revista Guia da Farmácia 

Pesquisas revelam que consumidores defendem que farmácias e drogarias vendam, além de medicamentos, produtos de conveniência  

Por Tânia Longaresi  

Consumidores defendem que farmácias e drogarias vendam, além de medicamentos e itens de beleza, produtos de conveniência. Essa é a conclusão a que duas pesquisas encomendadas pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) chegaram.

Os estudos foram realizados pelos institutos de pesquisa Vox Populi e Ibope. Segundo o estudo do Vox Populi, que ouviu 400 pessoas a partir de 18 anos, 75% dos clientes estão acostumados a adquirir produtos de con­veniência nas redes. Já o Ibope revelou que, dos 504 entrevistados - todos com mais de 16 anos -, 77% acreditam que farmácias e drogarias não devem se ater apenas à venda de medicamentos e cosméticos.  

"O conceito de drugstores já está consolidado no Brasil e facilita a vida da população sem descaracterizar o negócio farmacêutico", argumenta o presidente exe­cutivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto.  

Nesta entrevista ao Guia da Farmácia, Barreto comenta sobre o resultado da pesquisa, questiona os limites de atuação da Anvisa e traça um panorama do desempenho do canal farmacêutico para este ano.  

Guia da Farmácia - O que motivou a Abrafarma a investir em pesquisas que apontassem a expec­tativa do consumidor em relação aos produtos vendidos no canal farma?  

Sérgio Mena Barreto - Foi a consulta pública núme­ro 69 da Anvisa. Realizada em um ambiente contami­nado, sem a presença do varejo especializado no canal farma, a consulta colocou em questão as boas práticas das drogarias. Entre elas, debateu sobre a restrição da venda de alguns produtos de conveniência.  

Guia - Na sua opinião, a Anvisa extrapola seus limites ao tentar estabelecer normas e leis sobre os itens a serem ven­didos no canal farma?  

Barreto - Acredito que a Anvisa não possa legislar. Ela é uma agência executiva, sua estrutura é infralegal, e não reguladora. Mas não podemos esquecer de aspectos importantes da agência, como, por exemplo, todo o debate e as normas sobre a rastreabilidade de medicamentos em todos os elos da cadeia de abastecimento.  

Guia - O resultado das pesquisas já era esperado?  

Barreto - Foi o consumidor que pediu, ao longo desses anos, uma diversificação de mix no canal farma. O consumidor não de­seja uma farmácia nos moldes dos anos 1970. Mais uma vez, a Anvisa escolhe o caminho da tutela, quando, na prática, 75% dos consumidores disseram que gostam de ter ponto de conveniência em farmácias e drogarias. 

Guia - As pesquisas revelam o perfil de compra do consu­midor de farmácias e drogarias?  

Barreto - Os institutos de pesquisa Vox Populi e Ibope ouviram homens e mulheres do Sudeste e Nordeste do País. A pesquisa avaliou o hábito de compras em farmácias e drogarias. Mais de 75% dos entrevistados compram medicamentos e/ou produtos de conveniência em farmácias ou drogarias. Ao entrar em uma farmácia, 34,4% compram apenas medicamentos ou produtos de uso farmacêutico. Já 60,6% compram remédios e produtos de conveniência ou realizam algum serviço.  

Guia - Para o consumidor, a oferta de produtos de conve­niência é um beneficio do canal farma?  

Barreto - Para 38,6% dos consumidores, uma das principais vantagens das drugstores é o fato delas ficarem abertas 24 horas; a diversificação dos produtos oferecidos aparece como vantagem para 27% dos consumidores pesquisados; e a facilidade por oferecerem produtos de conveniência, para 7,2%.  

"A VENDA DE PRODUTOS DE HPC E DE ITENS LIGADOS À CONVENIÊNCIA É IMPORTANTE PARA GARANTIR UMA RENTABILIDADE MAIOR NO SETOR"  

Guia - A pesquisa também indicou quais são as desvantagens do canal farma?

Barreto - Entre as desvantagens das drugstores, 8% disseram que os produtos são mais caros; 2,25% disse­ram que não há atendimento prioritário para compra de medicamentos; e 73,8% não souberam responder sobre as desvantagens.  

Guia - Como o consumidor avalia as farmácias e drogarias que vendem produtos de conveniência?  

Barreto - Entre os entrevistados, 63,4% concordam que, ao venderem produtos de conveniência e não apenas medicamentos, as drogarias facilitam a vida das pessoas.  E 62,1 % dos entrevistados afirma­ram que se sentem tranqüilos e seguros sabendo que podem con­tar com uma drogaria que vende produtos de conveniência para compras de última hora. 

Guia - Os participantes da pesquisa foram questionados sobre a possibilidade de a venda de produtos de conveniência no canal farma ser restringida?  

Barreto - Sim, e se posiciona­ram absolutamente contra essa idéia. Do total dos entrevistados, 65% discordam da idéia de restringir produtos de conveniência em farmácias e drogarias. Ao serem questionados sobre o tipo de produto que deveria ser vendido em farmácias e drogarias, 75% dos entrevistados afirmaram que, além de medicamentos e produtos farmacêuticos, as farmácias e drogarias deveriam vender também produtos de conveniência e oferecer prestação de serviços. Já 18% afirmaram que deveriam vender só medicamentos e produtos de uso farmacêutico e 7% não souberam responder.  

Guia - Diversificar o mix é uma questão estra­tégica para o canal farma?  

Barreto - A composição de mix no canal farma é estratégica. A venda de produtos de HPC e de itens ligados à conveniência é importante para garantir uma rentabilidade maior no setor.  

Guia - Em relação à venda de não-medica­mentos e medicamentos, qual o desempenho registrado pelo canal farma neste ano?  

Barreto - De janeiro a junho deste ano, em relação ao mesmo período de 2007, o setor registrou um cres­cimento de 20,74%. A venda de não-medicamentos ficou acima da média do setor, em 21,34%. Já os genéricos apresentaram um resultado bem superior, registrando um incremento de 28,43% nas vendas. Esses bons índices devem-se ao momento econômi­co favorável, em que vivemos desde a estabilidade conquistada com o Plano Real.  

Guia - Para finalizar, além da ampliação do mix, quais alternativas podem aumentar as vendas e a rentabilidade do setor?  

Barreto - Acredito que, em um futuro bem próxi­mo, as vendas pela internet devam crescer. As vendas por televendas e o delivery (en­trega em domicílio) também devem crescer. Atualmente abrimos menos lojas 24 horas. Com medo da violência, o cliente não gosta de sair de casa de madrugada. Antes, de 10 lojas que eram abertas, quatro eram 24 horas. Hoje, só uma em cada 10 droga­rias inauguradas fica aberta durante a madrugada, fato que reforça e indica um cres­cimento do delivery.