Endividamento e inadimplência caem em janeiro, diz CNC
07 de fevereiro de 2025Por outro lado, cresceu a fatia de renda, no orçamento das famílias, destinada a quitar dívidas.
Por Alessandra Saraiva, Valor — Rio
A parcela de endividados e de inadimplentes caiu, em janeiro, na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No entanto, cresceu a fatia de renda, no orçamento das famílias, destinada a quitar dívidas, a atingir maior proporção em oito meses.
No estudo, a fatia dos que se declararam endividados caiu de 76,7% para 76,1% de dezembro de 2024 para janeiro desse ano. Esse porcentual, no primeiro mês do ano para esse dado, também foi menor do que observado em janeiro de 2024 (78,1%).
A proporção de endividados com dívidas em atraso, na pesquisa, ficou em 29,1% em janeiro. Essa proporção é menor do que a dezembro (29,3%), embora acima da de janeiro de 2024 (28,3%). Entre os inadimplentes sem condição de quitar seus empréstimos, a fatia ficou em 12,7%, em janeiro. Essa parcela foi abaixo da observada em dezembro (13%), mas acima de registrado em janeiro de 2024 (12%).
Porém, a fatia no orçamento destinada a quitar crédito foi de 30%, em janeiro desse ano. Não somente ficou acima de dezembro de 2024 (29,8%) como foi a maior desde maio de 2024 (30,1%). Outro aspecto destacado pela CNC foi o crescimento na parcela dos que se consideram “muito endividadas”, na pesquisa. Em janeiro, foi de 15,9%, o maior nível desde setembro de 2024.
"Os juros elevados e a seletividade do crédito fazem com que os consumidores procurem fazer menos dívidas e, como efeito adverso, aumentam sua percepção de endividamento”, explicou, em comunicado, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
“A leve melhora da inadimplência indica que houve um esforço nas casas brasileiras para equilibrar suas finanças, mas o comprometimento crescente da renda acende um sinal de alerta para a economia em 2025", completou ele, em informe sobre a pesquisa.
Apesar da melhora dos índices de endividamento e inadimplência, no estudo referente a janeiro, a CNC alertou, em comunicado, que o endividamento das famílias pode voltar a crescer ao longo do ano. Os percentuais devem começar a subir a partir de março, fechando 2025 com 77,5% das famílias brasileiras endividadas e 29,8% inadimplentes, de acordo com estimativas da organização.
“A necessidade de recorrer ao crédito para consumo, somada à manutenção de juros elevados, deve tornar a gestão financeira um desafio ainda maior para os consumidores brasileiros”, completou ainda economista da CN Felipe Tavares, no informe.
A CNC informou ainda, no comunicado, que em janeiro, o cartão de crédito continuou sendo principal modalidade de crédito utilizada pelos consumidores, atingindo 83,9% do total de devedores, na pesquisa, detalhou a organização.
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