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ABRAFARMA - Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias
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Fonte: Revista Setorial SAÚDE – Valor Econômico

 

Para manter as taxas de crescimento, grandes redes e farmácias independentes procuram fidelizar os consumidores com vendas on-line, aplicativos e preços mais baixos Por Rosangela Capozoli

portadores de doenças crônicas que tomam me-dicação de uso contínuo serão alertados por um aplicativo quando fora hora de tomar o remédio e quando o estoque estiver próximo a acabar. O serviço será oferecido por um aplicativo oferecido pela rede Raia Drogasil, a partir de julho. O dispositivo, acionado por um dique no celular, é apenas um entre vários que as grandes redes de farmácias e drogarias estão colocando em prática. Há um esforço para ampliar as vendas on-line, ao mesmo tempo que se implantam serviços para transformara farmácia numa porta de acesso ao sistema básico de saúde, oferecendo, por exemplo, serviço de vacinação, testes laboratoriais rápidos e tecnologias de fidelização, por meio da digitalização. Estas ações são adotadas pelas grandes redes, que concentram 42% das vendas de medicamentos no país, para fazer frente à redução no aumento da receita: 73% neste ano, depois de quase uma década crescendo a dois dígitos. No entanto, no primeiro trimestre as vendas cresceram 9,5% sobre igual período de 2018. Em todo o país, são 26 grandes redes filiadas à Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), com 7,7 mil estabelecimentos. O faturamento alcançou R$ 47 bilhões, 7,5% acima do ano anterior. "O ideal seria ultrapassar esse índice, considerando o ritmo de abertura de lojas, que serão cerca de 500 pontos em 2019, dos quais 200 já foram inaugurados", afirma Sergio Mena Barreto, CEO da Abrafarma. Apesar da crise, o varejo continua investindo. Mas, em tempos de economia mais saudável, o número de novos pontos chegava a 700 por ano. Com a aprovação da Lei 13.021/14, farmácias e drogarias puderam se transformar em unidades de prestação de assistência farmacêutica e orientação à saúde. Segundo Mena Barreto, até fim de 2019 serão 2,1 mil estabelecimentos com esse formato, com 2,5 milhões de atendimentos em 2018 ante 1,4 milhão no ano anterior. Na disputa pelo consumidor, estão também as redes associativistas e as farmácias independentes, que optaram por outro caminho: em vez de digitalizar o atendimento e de oferecer serviços, investem em gestão e oferecem medicamentos a preços mais baixos. Resultado: enquanto os grandes grupos estimam um crescimento de 8% no máximo, as redes populares projetam alta de no mínimo 10%. Em 2018, o aumento atingiu 19,14%. Este formato de varejo, vinculado à Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), conta com 9,9 mil pontos e a receita saltou de R$11,3 bilhões para R$ 13,4 bilhões em 2018. "A expectativa para este ano é de um acréscimo desacelerado, na casa dos 10%", diz Edison Tamascia, presidente da Febrafar. Tal redução está ligada à crise econômica e a poucas inovações de genéricos entrando no mercado.

"Se a taxa do primeiro trimestre se mantiver em 10% está bom demais, considerando um PIB fadado a um crescimento pífio." Segundo ele, a Febrafar não trabalha com a expectativa de um crescimento orgânico, mas atua para qualificar o associado. "Somos assertivos na nossa proposta de ser uma farmácia com preços baixos e, hoje, o que o consumidor mais busca é isso", citando a importância de um processo administrativo enxuto. "Temos uma central que administra todas as lojas com baixo custo e somos uma rede que não oferece serviços. Não fazemos aferição de pressão, entrega em domicilio, não prestamos serviços que possam agregar custo, por isso conseguimos oferecer preços módicos." Entre as mais conhecidas filiadas à Febrapar, estão a Ultra Popular, que há seis anos abriu a primeira unidade e hoje tem mil lojas, bem como a Maxi Popular, Super Popular, Farma 100, Entrefarma, AC Farma e Mega Farma. São negócios montados por meio de associativismo, que compartilham métodos de gestão e informações que em menos de cinco anos congregam centenas de pontos de venda. "A Ultra Popular tornou-se a quarta maior do mercado varejista farmacêutico." A competividade é acirrada e as transformações ocorrem rapidamente. "Estamos migrando de um negócio analógico para um digital", diz Mena Barreto. Segundo ele, a própria Abrafarma tem investido na transformação digital, buscando, inclusive, mudanças na legislação que prioriza os processos analógicos. "O cliente que toca na tela do celular para acessar sua farmácia gostaria de ter essa mesma experiência de facilidade na loja, e não tem ainda." Em Portugal e nos Estados Unidos, entre outros países, quase tudo é digitalizado. Ao mesmo tempo, as grandes redes investem na implantação de serviços como objetivo de transformar a farmácia numa porta de acesso ao sistema básico de saúde para o cliente. "Estamos implantando serviço de vacinação, testes laboratoriais rápidos e tecnologias de fidelização de cliente, como aplicativos", diz Mena Barreto. Hoje, 57% das vendas são feitas pelas redes, 18% pelas associativistas e o restante pelas independentes. A própria força do mercado, segundo ele, é um limitador para um aumento mais acelerado nos preços. A Raia Drogasil (RD) é a maior rede do país, com faturamento bruto de R$15,5 bilhões em 2018 e com 1.873 lojas, das quais 240 foram inauguradas no ano passado. São 1.030 unidades Drogasil, 840 Droga Raia e três lojas da 4Bio. "A perspectiva é abrir mais 240 pontos de venda neste ano, dos quais 70 foram inaugurados, além de dois novos centros de distribuição, em Guarulhos e Fortaleza", diz Marcílio Pousada, presidente da RD. Segundo ele, o "ambiente competitivo mais tranquilo em 2018 abriu espaço para a recuperação neste ano do desempenho das lojas maduras, aqueles pontos afetados pela desaceleração da empresa em 2018". Os preços de genéricos recuaram, mas já se estabilizaram. "O que se percebe na RD é que o cliente de marca continua fiel a ela, mas quem compra genérico está buscando o preço mais baixo." Pousada afirma que "esse é um mercado no qual o maior vetor de crescimento é o envelhecimento das pessoas". Por conta disso "todo ano o mercado cresce mais que a inflação". Neste cenário, a empresa optou por um "investimento forte neste ano na área de digitalização, colocando o cliente no centro das decisões e se relacionando mais com ele pelo celular". Em 2018, a rede inaugurou o Compre e Retire, serviço no qual o cliente compra pelo celular e retira na loja. Em julho, será lançado o cupom de descontos, um aplicativo que está sendo desenvolvido pela própria rede. "Hoje, mais de 37 mil clientes baixam o nosso aplicativo a cada mês." São 31 milhões de clientes ativos cadastrados. "Os novos aplicativos ajudarão os usuários de medicamentos de uso contínuo. Eles serão avisados de que o medicamento está acabando e o horário de tomá-lo." A compra da rede Onofre pela Raia Drogasil, teve, entre outros motivos, a intenção de adquirir a opera-ção digital da concorrente, que é maior que a da líder do mercado. As vendas on-line representam 45% do faturamento da Onofre, que foi de R$ 479,4 milhões em 2018. Na rede física, são apenas 50 lojas. A rede DPSP tem sob seu guarda-chuva as marcas Drogaria Pacheco e Drogaria São Paulo. São 1.320 unidades, cerca de 900 coma bandeira São Paulo e o restante coma marca Pacheco. Segundo Roberto Tamaso, diretor comercial e marketing do grupo, as "vendas cresceram na mesma linha do mercado ou um pouco mais de 7%". A expectativa é que nos próximos dois trimestres as vendas acelerem mais, até por conta da base do ano passado, prejudicada pela greve dos caminhoneiros, que afetou a distribuição. Nos últimos 12 meses contados até abril, o grupo reformou 400 lojas e outras cem unidades estão sendo abertas. Com relação às compras, a maioria ainda é feita nas lojas, mas o serviço de compra on-line e retirada nas farmácias "tem crescido bastante". Cerca de 700 pontos de venda estão oferecendo essa modalidade. Segundo Tamaso, o consumidor está mais atento à questão de preços. "A demanda por produtos mais baratos, similares ou genéricos, só aumenta." O grupo tem investido em treinamento e qualificação de atendimento, além de diferenciação, personificação e conveniência. Também investe no projeto Viva Saúde, cujo objetivo é conhecer o perfil do consumidor que responde por 30 milhões de cadastros. A intenção é que, com o uso da inteligência artificial, essa carga de informação possa ajudar o balconista a atender o cliente de forma personalizada.