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Fonte: DCI – São Paulo

 

Retomada de aportes no setor ainda está distante devido ao alto nível de alavancagem de pequenos e médios comerciantes e, quando vier, deve ficar concentrada nas grandes redes

São Paulo - Em um cenário em que boa parte das médias e pequenas varejistas estão com um nível de endividamento muito alto, a retomada dos investimentos do setor deve vir a passos lentos, ficando apenas para 2018.

Além disso, os aportes que virão após a recuperação estarão centrados nas grandes redes, já que as empresas de menor porte devem focar o pós-crise na redução das dívidas. "Tem muitas empresas com um nível muito alto de alavancagem, principalmente entre as médias e pequenas. A medida que o mercado retomar, a primeira providencia dessas empresas será reduzir o endividamento", afirma o sócio-fundador da consultoria Enéas Pestana & Associados, Enéas Pestana.

De acordo com ele, há ainda casos de companhias que estão com um nível alto de alavancagem e que precisam se endividar ainda mais para manter o capital de giro. "Há situações muito graves, e um risco grande de que algumas delas não consigam atravessar o ano", ressalta.

O consultor independente e membro do conselho administrativo da Lopes Supermercados e da Bombril, Sandro Benelli, também sinaliza para um cenário nebuloso no setor. "Em 2017 vamos ver muitas redes que não vão sair do outro lado do túnel. Várias empresas familiares não estão gerando caixa se quer para pagar o serviço e os juros da dívida", diz.

De acordo com Pestana, que atuou por dez anos no Grupo Pão de Açúcar (quatro como CEO), essa situação se dá pelo fato dos juros ainda estarem em patamares altos. "Apesar da trajetória de redução da Selic, se você considerar com o spread bancário e o IOF os juros ainda chegam próximo de 20% ao ano", afirma.

"Se você pegar uma empresa alavancada a cinco vezes o Ebitda, ela vai pagar de juros e serviço dessa dívida uma vez o Ebitda ao ano. Ou seja, todo o caixa gerado por uma empresa nessa situação vai para o pagamento dos juros", finaliza.

Nesse cenário, muitos empresários têm se visto obrigados a colocar o próprio dinheiro no negócio para sobreviver. Na visão de Benelli, essa é uma saída necessária. "Se tiver capital próprio o empresário médio e pequeno deve investir para reduzir a dívida ou aumentar o capital de giro. Quem não fizer isso corre o risco de não sobreviver", diz.

Essa necessidade se dá, de acordo com ele, por conta do alto custo de se tomar dinheiro emprestado no cenário de incerteza em que o País se encontra. "Você vê hoje companhias com um rating AAA que estão pagando juros altíssimos, então imagina para uma empresa média captar dinheiro, o custo é ainda maior. Elas devem evitar ao máximo tomar empréstimos", afirma. A economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Izis Ferreira, acrescenta que a alavancagem alta no setor tem feito com que as renegociações aumentem. "Nesse momento, a busca pela renegociação é fundamental, para que as empresas possam voltar a crescer e investir", diz.

Investimentos

Para os dois especialistas, o cenário do varejo e da economia brasileira deve fazer com que a retomada do investimento dos empresários do comércio só ocorra em 2018. "O investimento só vem depois que os empresários percebem uma real retomada do mercado, e após terem a convicção de que o aporte trará efeitos positivos em termos de vendas e market share", afirma Pestana.

Segundo ele, esse momento ainda está distante e agora não é a hora de investir e abrir lojas. "O momento é para olhar a estrutura de capital, porque o que faz uma empresa quebrar é a falta de capital e não de resultado", afirma.

Para Benelli, o mais importante para que as varejistas recuperam a confiança para investir é que o mercado de trabalho recupere e que o ambiente de crédito melhore. "A primeira alavanca é o emprego, já que ele impacta diretamente na renda, e a segunda é o crédito", pontua.

Apesar da perspectiva ainda negativa, o subíndice que mede as condições de investimento do empresário do comércio - divulgado ontem pela CNC dentro do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) - mostrou uma alta de 5,3%, na comparação interanual. O indicador, que varia de 0 a 200, ainda segue abaixo da zona de indiferença (100), em 85,8 pontos. "Acho natural essa melhora na confiança, mas não vejo um reaquecimento do mercado consumidor ainda neste ano. As perspectivas não são animadoras", finaliza Pestana.

Pedro Arbex

Altamente endividados, varejistas só devem pensar em investir após 2018