“A Cimed dos próximos 50 anos precisa olhar para mercados muito maiores”, diz João Adibe
15 de outubro de 2026Executivo disse à Mercado&Consumo que a Cimed quer usar marcas para ampliar o negócio e avançar a outros mercados.
Bruna Lencioni
Às vésperas de completar 50 anos, em 2027, a Cimed entra em uma nova fase de diversificação do negócio. Hoje, 60% do faturamento da companhia vem de medicamentos e 40% de produtos de consumo, mas a estratégia para os próximos anos é ampliar a participação dessa segunda frente.
“A empresa que queremos construir para os próximos 50 anos precisa olhar para mercados muito maiores”, afirmou João Adibe, CEO da Cimed, à Mercado&Consumo. Segundo o executivo, Carmed, a expansão em higiene e cuidados pessoais e, agora, a chegada da Mili ao skincare não são movimentos isolados. “Não estamos falando de movimentos isolados, mas de uma estratégia de diversificação de portfólio.”
A ambição, segundo ele, é ampliar essa lógica para novas categorias e, no longo prazo, também para outros mercados. “Nossa ambição é construir uma companhia de consumo e saúde cada vez mais relevante, com marcas que possam crescer no Brasil e também conquistar outros mercados.”
A Mili, lançada na última segunda-feira, 12, é a expressão mais recente dessa estratégia. A Cimed está investindo R$ 80 milhões em criação, desenvolvimento, produção, ponto de venda e marketing e trabalha com uma meta de R$ 150 milhões de faturamento já no primeiro ano. A marca estreia com sete produtos produzidos na Coreia do Sul, preços entre R$ 70 e R$ 200 e foco de distribuição no varejo farmacêutico e em perfumarias.
A aposta combina dois ativos que a empresa considera centrais: tecnologia e distribuição. De um lado, a Coreia do Sul oferece acesso a um ecossistema avançado de formulação, desenvolvimento e inovação em skincare. Do outro, a Cimed entra com uma capilaridade que, segundo Adibe, alcança cerca de 98% das farmácias brasileiras.
“Não adianta ter um super produto se ele não chega ao consumidor. E também não adianta ter distribuição sem oferecer algo realmente relevante. A oportunidade está justamente em unir essas duas coisas”, diz.
Essa combinação também explica a Missão Coreia 2026. Segundo Adibe, a companhia levou à Coreia representantes de empresas que correspondem a cerca de 60% do varejo farmacêutico brasileiro, com o objetivo de apresentar de perto a tecnologia, os processos e a produção por trás da categoria. A intenção, de acordo com ele, é reduzir uma das barreiras à escala: tornar mais familiar ao varejo e ao consumidor brasileiro uma categoria ainda associada, em muitos casos, a preços elevados e produtos premium.
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