Aproximação com Coreia do Sul é "fundamental" para indústria de cosméticos, avalia setor
23 de fevereiro de 2026O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca neste domingo (22), em Seul, com objetivos de aprofundar relações bilaterais, fechar parcerias na indústria de cosméticos e abrir o mercado de exportações de carnes brasileiras à Coreia do Sul.
Francisco Artur de Lima
A indústria brasileira voltada ao mercado de beleza e cosméticos vê como "oportunidade estratégica" a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul. Líder global no setor, o país asiático recebe Lula, hoje, para uma série de reuniões com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung. Na viagem, também está prevista a participação no Fórum Empresarial Brasil-Coreia, com representantes de 230 empresas brasileiras.
Os dois países são pujantes na produção e comercialização de cosméticos, com vários interesses mútuos. No ano passado, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o setor ultrapassou US$ 1 bilhão em produtos exportados por empresas brasileiras. O principal comprador, ainda de acordo com a associação, foi a Argentina, com 20,9% na importação do total de exportações de cosméticos brasileiros.
Na avaliação da internacionalista Ana Beatriz Zanuni, o protagonismo do mercado coreano de cosméticos junto à riqueza natural do Brasil tem o potencial de formalizar parcerias na área. " Esse padrão abre espaço para uma cooperação mais estruturada, que pode ser objetivada para evitar um cenário de deficit comercial, especialmente se houver avanço em transferência de tecnologia e investimentos em pesquisas e desenvolvimento", disse Ana Beatriz, especialista em Comércio Internacional na BMJ Consultores Associados.
Para a Abihpec, o fortalecimento da relação entre Brasil e Coreia do Sul terá o potencial de fortalecer "as relações comerciais bilaterais entre os países". "A entidade avalia que a diversificação de mercados e o fortalecimento de parcerias estratégicas são fundamentais para consolidar o posicionamento internacional da indústria brasileira, ampliando acesso a novos mercados e fomentando inovação, investimentos e geração de valor", afirmou a entidade, em nota enviada ao Correio.
Skincare vira febre
Impulsionado sobretudo pela popularidade de séries de ficção sul-coreanas (os chamados doramas), o interesse dos brasileiro pelo K-Beauty (como produtos de beleza coreano são chamados) pode ser constatado nos US$ 15.244.671 em cosméticos importados no ano passado, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDic).
O tema do K-Beauty foi tratado pela primeira-dama Janja da Silva, na última semana, em conversa com influenciadores digitais brasileiros que moram na capital sul-coreana, Seul. A esposa do presidente Lula chegou ao país asiático antes do petista.
"Assim como a nossa música, futebol e arte atravessam o mundo e são conhecidos na Coreia, o k-pop, o k-drama e o k-beauty fazem parte da vida de milhões de brasileiras e brasileiros", publicou a primeira-dama, em seu perfil no Instagram, na ocasião.
Carne
Além do interesse brasileiro em parcerias que englobam o K-Beauty, o presidente Lula busca abrir o mercado coreano para a exportação da carne brasileira. Quinto maior importador de carne bovina no mundo, o país asiático compra esse produto de outros países. Lula, quando anunciou sua ida à Coreia do Sul, em dezembro passado, afirmou que almeja tanto fortalecer relações no setor de beleza como ampliar a exportação de carne para o país asiático. "Quero convidar muitos empresários desse setor de beleza e pele. Quero saber o que eles têm para nos vender. Vamos vender a nossa carne e eles os produtos de beleza", anunciou, à época.
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