Baterias para estocar vento e sol
11 de novembro de 2025Acerto de Contas
Giane Guerra - Direto de Belém
Saiu a portaria que abre a consulta pública para realizar um leilão inédito no país: de armazenamento de energia. Vem sendo chamado de "leilão de baterias". A ideia do Ministério de Minas e Energia é realizar a disputa em abril de 2026.
Demorou, mas vem para corrigir uma falta de planejamento que tem levado o país a cortar a geração de energia renovável (o malfadado "curtailment"). Isso porque a energia eólica (do vento) e a solar estão sendo geradas em excesso em alguns momentos do dia, nos quais não há consumo suficiente. Se for toda injetada na rede, provocará sobrecarga e podemos até ter um apagão.
A solução vem sendo bizarra: coibir a geração de energia limpa nestes horários. Como há outros nos quais precisamos de mais energia do que produzimos, precisamos às vezes usar as fontes fósseis. Paga-se mais caro por energia fóssil, paga-se mais caro por ter que cortar geração de energia, o que exigirá ressarcir usinas. Quem paga? O consumidor na sua conta de luz.
A hora agora é de incentivar o armazenamento (sim, "estocar" sol e vento). Serão contratados sistemas de baterias para uso somente a partir de 2028, mas uma hora tem que se começar. Na prática, o leilão vai permitir que empresas instalem grandes baterias capazes de armazenar energia quando há sobra na rede e liberá-la nos momentos de pico de consumo, solução usada em países como Espanha e Portugal.
Três benefícios de largada: ajuda a evitar apagões, reduz a dependência de térmicas e integra melhor fontes renováveis ao sistema elétrico. Também vai estimular uma economia emergente voltada a isso. Várias empresas estão interessadas, como a Axia (ex-Eletrobras), a ISA Energia, que tem investimentos enormes em linhas de transmissão e subestações no Rio Grande do Sul, e a própria Weg, empresa catarinense que já tem vendido baterias de pequeno e médio porte para o mercado gaúcho.
Pauta em Belém
Certamente não foi coincidência a portaria ter saído no dia de abertura da COP30 aqui em Belém, no Pará. Apesar de o tema central da edição brasileira ser a proteção das florestas tropicais, a transição energética tem ocupado ainda mais espaço nos discursos das autoridades, sejam dos países, sejam das Nações Unidas (ONU).
O presidente Lula foi um dos que trouxeram a pauta em suas falas. É feio estar cortando geração de energia renovável porque não se providenciou a infraestrutura, enquanto outros países gostariam tanto de ter sol, vento e água suficientes para uma matriz energética limpa.
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