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Bayer Pharma e Megalabs fazem acordo para venda de medicamentos

14 de março de 2025
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

Parceria envolve nove produtos sem patentes para tratamentos nas áreas de saúde da mulher e cardiologia; valor estimado de vendas é de mais de R$ 500 milhões neste ano.

IVO RIBEIRO

Sem produção no Brasil, fruto de uma revisão estratégica de negócios para se concentrar em desenvolvimento e na venda de grandes marcas de medicamentos, a Bayer Pharma, divisão do grupo alemão Bayer, vem fazendo parcerias com outras empresas do setor para gestão e distribuição de algumas de suas linhas de produtos. E acaba de firmar com a também alemã Megalabs um acordo para comercialização de um grupo de produtos das áreas de contracepção (ginecologia) e cardiologia, com vendas que devem somar mais de R$ 500 milhões este ano, pelos cálculos da consultoria IQVIA.

A parceria envolve medicamentos que já perderam as patentes e requerem forte relação comercial com o varejo. São nove marcas: Allurene, Angeliq, Aspirina Prevent, Diane 35, Mesigyna, Xarelto, Yasmin, Yaz e Yaz Flex, usadas em tratamentos nas áreas de saúde feminina e cardiologia. Anticoagulante, com patente perdida anos atrás, o Xarelto figura entre os medicamentos de maior venda no País dentro de sua categoria.

A opção por esse modelo de negócio foi acertada, diz Adib Jacob, presidente da Bayer Pharma no Brasil e líder regional na América Latina. O executivo diz que parcerias iguais já foram feitas com êxito na Argentina e no Chile (ampliada para Uruguai e Bolívia). E no Brasil, em 2024, foi fechado um acordo similar com a Biolab na área de contraceptivos – no caso o Qlaira, com vendas estimadas em R$ 270 milhões na época.

“O acordo ilustra o momento da empresa no Brasil e no mundo. Ao fazer isso, poderemos concentrar esforços e foco em medicamentos de alto custo, que fazem parte da nossa especialidade”, diz o executivo, referindo-se a cinco lançamentos feitos nos últimos três anos e a novos produtos que a companhia trará ao mercado futuramente.

A Bayer Pharma segue responsável, por exemplo, pela promoção e venda do Firialta, indicado para o tratamento de doença renal de diabete. Também fica com a empresa a gestão e comercialização dos contraceptivos de longa duração Mirena e Kyleena (dispositivos intrauterinos hormonais). “São exemplos de marcas nas áreas cardiorrenal e saúde feminina que seguiremos investindo fortemente no Brasil, e continuam prioridade para a Bayer.”

FORÇA COMERCIAL.

Segundo ele, a Megalabs traz musculatura comercial e grande presença no varejo de remédios. “Esse acordo é voltado a um portfólio mais maduro”, diz. “Vamos focar nas grandes marcas, como o Firialta, terceiro maior produto da Bayer, que vai passar de R$ 200 milhões em vendas neste ano, e, na área de oftalmologia, o Eylia, com vendas na mesma ordem.”

Na revisão estratégica da Bayer, feita há anos, manter unidades fabris no Brasil não mostrou fazer sentido, embora o País seja considerado um dos grandes mercados de medicamentos no mundo. Há três anos e meio, a empresa vendeu para a União Química a fábrica de hormônios que tinha na zona sul da cidade de São Paulo. “Alguns medicamentos eles continuam a fabricar para nós sob a marca da Bayer Pharma.”

Hoje, a produção de medicamentos da divisão farmacêutica está concentrada na Alemanha, com vários complexos fabris. Nas Américas, a produção está nos EUA, no México, na Costa Rica e na Argentina. “Tem de haver algum sentido, por exemplo, tecnológico, entre outros para justificar uma unidade fabril”, diz.

No comando da Bayer Pharma há seis anos no Brasil, e há cinco também responsável por América Latina, Jacob diz que a farmacêutica teve crescimento de dois dígitos nas vendas no País no ano passado. A empresa não abre seus números por países – no mundo, alcançou receita de ¤ 18,13 bilhões (R$ 114,4 bilhões) em 2024. Desse valor, a América Latina reportou ¤ 1,044 bilhão (R$ 6,5 bilhões). Globalmente, o grupo Bayer registrou receita de ¤ 46,6 bilhões (R$ 294,1 bilhões) em 2024.

“Na divisão farmacêutica, a Bayer Pharma Brasil está entre as dez maiores unidades de negócios do grupo”. Adib Jacob, presidente da Bayer Pharma Brasil.

O Brasil, com as três unidades de negócios, é o segundo maior mercado em receitas do grupo, puxadas pela divisão voltada ao agronegócio – só perde para os Estados Unidos. “Na divisão farmacêutica, a Bayer Pharma Brasil está entre as dez maiores unidades de negócios do grupo”, diz Jacob.

RECEITAS EM DOBRO.

Para a Megalabs, que estreou no mercado brasileiro em 2016 com a aquisição de uma farmacêutica local, o acordo com a Bayer Pharma trará um grande salto em receitas no País: a empresa sai de pouco mais de R$ 400 milhões para mais de R$ 900 milhões com a linha de nove produtos da Bayer que passará a comercializar.

A estratégia da companhia, controlada por uma família alemã e presente em 20 países, é crescer com aquisições, lançamentos e parcerias para distribuição, afirma Marcelo Forti San Andrea, gerente-geral da companhia no Brasil. As principais áreas de medicamentos da Megalabs são dermatologia, gastroenterologia, ortopedia, linha respiratória e pediatria. O executivo informa que a farmacêutica vai reforçar seu time de marketing e de vendas, hoje de 500 pessoas, com mais 100 contratações.

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