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Confiança empresarial atinge maior nível em quase 1 ano, aponta FGV

03 de fevereiro de 2026
Fonte: Jornal Valor Econômico – SP

Indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 0,5 ponto em janeiro, para 92,5 pontos, impulsionado por fatores positivos como inflação sob controle e perspectiva de queda de juros.

 

Por Alessandra Saraiva , Valor — Rio

 

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) subiu 0,5 ponto em janeiro, para 92,5 pontos, informou, nesta segunda-feira (2), a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com a elevação, o indicador chegou, no primeiro mês do ano, ao mais alto patamar desde fevereiro de 2025 (93,3 pontos).

 

A confiança do empresariado neste ano é impulsionada por fatores positivos para o consumo interno, como inflação sob controle e perspectiva de queda de juros, explicou Aloisio Campelo Junior, pesquisador da fundação. Esse contexto macroeconômico pode favorecer a demanda em 2026.

 

No entendimento dele, os empresários entendem que pode ocorrer, neste ano, um “ganho gradual de nível de atividade”, o qual pode ser bom para a “lucratividade” e os negócios em geral, disse.

 

O técnico destacou que a confiança em alta no começo do ano foi motivada basicamente por expectativas mais favoráveis. O Índice de Situação Atual (ISA), um dos dois componentes do ICE, caiu 0,6 ponto em janeiro, para 92,8 pontos – mas o Índice de Expectativas (IE) subiu 1,7 ponto, para 92,3 pontos.

 

Campelo Junior também apontou uma evolução favorável das expectativas na passagem de dezembro de 2025 para janeiro deste ano. Ele ressaltou as influências das percepções de empresários de indústria, comércio e construção, para compor resultado positivo do indicador no primeiro mês do ano.

 

O técnico destacou os resultados setoriais de confiança do indicador. Em janeiro ante dezembro, o ICE subiu 3,5 pontos no setor industrial, com avanços de 3 pontos no comércio e de 2,8 pontos em construção. Apenas serviços, com um ICE a aumentar apenas 0,6 ponto no primeiro mês do ano, apresentou uma “calibragem para baixo”, disse.

Campelo Junior comentou que, em particular, a construção mostrou resiliência na atividade, devido ao aquecimento em áreas como o programa habitacional do governo “Minha Casa, Minha Vida”, obras de infraestrutura e empreendimentos residenciais.

 

Para o especialista, a percepção de que a inflação está sob controle em 2026 e a possibilidade de corte na taxa básica de juros (Selic) – que norteia o mercado – já começam a gerar alívio e melhorar expectativas do empresariado a médio prazo.

 

Imposto de renda e salário mínimo

Ao mesmo tempo, continuou, medidas como a isenção de imposto de renda para famílias com ganhos mensais abaixo de R$ 5 mil e o aumento do salário mínimo, no primeiro trimestre, devem ter impacto positivo, especialmente no comércio, porque aumentam a renda disponível e podem alavancar a demanda interna.

 

“Quando olhamos as respostas sobre futuro, a percepção sobre a demanda, formada por perguntas sobre como estaria o grau de otimismo nos três meses seguintes, elas chegaram no ‘fundo do poço’ no quarto trimestre [de 2025]. Depois, [a percepção] começou a melhorar e agora as expectativas estão melhorando”, disse.

 

Segundo Campelo Junior, o entendimento do empresariado é que o crescimento da economia neste ano – entre 1,8% e 2% de acordo com projeções de mercado citadas por ele – não será muito diferente de 2025, quando deve ficar entre 2% e 2,5%, pelas apostas.

 

Impactos do “tarifaço” de Trump

Ele admitiu que, no ano passado, a confiança e os negócios do empresariado brasileiro foram um pouco afetados por alguns choques externos. Foi o caso, por exemplo, do “tarifaço” do presidente americano, Donald Trump.

 

Em meados do ano passado, o governo dos Estados Unidos elevou em dois dígitos as tarifas sobre produtos de diferentes países, incluindo o Brasil, direcionados ao mercado americano. Mas, ponderou Campelo Junior, o empresariado brasileiro agora está mais focado e esperançoso sobre a demanda interna – o que impacta positivamente o ICE, disse.

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