Abrafarma Logo
Área
Restrita
Abrafarma Logo

Contraponto: quem fará estudo do Sul para ferrovias

03 de setembro de 2026
Fonte: Jornal Zero Hora – RS

acerto de contas

Giane Guerra

 

Saiu o vencedor da licitação para fazer o estudo da Malha Sul de ferrovias que o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) pretende usar para contrapor a proposta do leilão do governo federal, embasada no da Infra SA. O consórcio é liderado pela Alvarez & Marsal Consultoria em Engenharia. Tem ainda a Eagle Consultoria Econômica e de Engenharia e o escritório Machado, Meyer, Sendacz, Opice e Andrade - Advogados. A informação foi dada pelo diretor de Planejamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Leonardo Busatto, durante o Campo em Debate sobre ferrovias na Casa RBS, na Expointer.

 

A escolha considerou técnica e preço. O valor ficou em R$ 5,49 milhões. A ideia é assinar o contrato na metade de setembro, quando começam a contar os prazos. Até o final do ano, sai o primeiro diagnóstico. O estudo sai em 10 meses com proposta.

- Entendemos que apontará que a concessão integrada da Malha Sul é a melhor opção, mas poderá trazer cenários alternativos - diz Busatto.

 

O diretor do BRDE avalia que há tempo para ocorrer a construção de uma nova modelagem com o governo federal depois disso. Até porque a concessão à Rumo vence em fevereiro de 2027, mas será ampliada em dois anos para ter tempo hábil de uma nova empresa assumir.

 

Contas vinculadas

Fatiar ou não em três trechos é a divergência. Entende-se que o Paraná atrairia interessados, mas Santa Catarina e Rio Grande do Sul, não. O governo federal argumenta que contas vinculadas exigiriam que a empresa que assumisse o "filé" aportasse recursos nos demais trilhos. O Codesul não sente essa segurança.

 

Aliás, o assunto foi apreciado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ontem. O relator do processo votou a favor dos recursos vinculados, um ministro o acompanhou e outros três pediram vista. Será retomado em novembro o julgamento, que também definirá se este recurso será considerado privado ou público, podendo ser direcionado e contingenciado pelo governo, o que se reflete na atratividade maior ou menor pelo negócio na concessão.

 

Secretário estadual de Logística e Transportes, Clovis Magalhães aponta o que considera falhas na proposta de concessão à mesa. Chama a atenção Passo Fundo não estar contemplada. É a cidade mais forte do norte gaúcho, região que mais se destaca hoje na economia gaúcha, com o avanço do agronegócio e dos biocombustíveis. Além do gargalo da BR-285, está sem trens desde a enchente.

 

Ímã para atrair negócios

Participou também do painel o gerente-executivo da Soli3, Diego Piotto, reforçando que a empresa escolheu Cruz Alta para fazer a fábrica de biodiesel de R$ 1,25 bilhão pela ferrovia. Fica lá o único trecho ainda funcionando no RS. Sem o trem, seriam 103 caminhões bitrem rodando por dia, 33 mil viagens por ano. O cálculo considera só soja e farelo, sem óleo.

 

O executivo atuava no Mato Grosso, onde a ferrovia está "voando". Questionado pela coluna, que mediou o painel, contou da mobilização das empresas. Isso organiza demanda, gera interesse econômico, move opinião pública e, portanto, políticos. Sobre a proposta atual para o leilão, alerta que o trilho previsto para o Paraná carrega 25% mais carga do que o do Rio Grande do Sul. Está errado. Não tem sentido fazer nova concessão e largar menos competitivo.

Você é jornalista? Participe da nossa Sala de Imprensa.

Cadastre-se e receba em primeira mão: informações e conteúdos exclusivos, pesquisas sobre a saúde no Brasil, a atuação das farmácias e as principais novidades do setor, além de dados e imagens para auxiliar na produção de notícias.

Vamos manter os seus dados só enquanto assim o pretender. Ficarão sempre em segurança e a qualquer momento, pode deixar de receber as nossas mensagens ou editar os seus dados.