Cremes antifadiga: a nova geração de produtos para o rejuvenescimento da pele ganha o mercado
08 de setembro de 2022Cosméticos bloqueiam ação de hormônios do stress e aumentam a energia dentro das células.
Por Evelin Azevedo
O cansaço e o estresse não afetam apenas nossa saúde mental, mas também a qualidade da nossa pele. Quem nunca percebeu, ao olhar no espelho, que o rosto estava sem viço e com aspecto envelhecido depois de dias estressantes ou de pouco sono? Há uma nova geração de cremes que promete reverter esse quadro: os cosméticos antifadiga.
A dermatologista Mônica Aribi, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que o sistema nervoso central e a pele são originados no mesmo tecido embrionário, ou seja, se desenvolvem a partir do mesmo ponto.
— Praticamente tudo que abala nosso sistema nervoso central abala a nossa pele. Por isso, temos muitas doenças que são desencadeadas por conta do estresse como a psoríase e a alopecia areata — diz a médica.
Um relatório do Fact.MR, empresa especializada em pesquisas, prevê que o mercado de cosméticos antifadiga deve chegar à marca de US$ 25,1 milhões até 2031, com uma projeção de CAGR (taxa de crescimento anual composto) de 4,7% no período. A nível de comparação, os cosméticos veganos de cuidados com a pele — que são mais amplos e podem, inclusive, incluir produtos antifadiga — têm uma projeção de CAGR de 5,6% até 2026, de acordo com a Global Industry Analysts.
Uma das atuações destes cremes é a blindagem da pele com o ácido hialurônico contra a ação do cortisol — o hormônio do estresse. Quando estamos estressados, nosso corpo aumenta a produção de glândulas sebáceas e de suor, e eleva levemente a pressão arterial. Esse processo deixa a pele mais inflamada, provocando quadros de acne e prejudicando a circulação sanguínea, principalmente na região da face.
Com todas essas alterações, a pele passa a não funcionar muito bem, o que causa a destruição das fibras de colágeno — proteínas que dão sustentação. Esse processo acelera o envelhecimento e faz com que as bochechas comecem a ceder e ficar flácidas, as pálpebras inferiores, que já estão em uma área bem fininha da pele, passam a afinar ainda mais.
— Elas vão se prolongando junto com a bochecha para baixo. Como a pele fica com essa espessura mais fina, dá para transparecer a vascularização aumentada dos vasos sanguíneos que estão por baixo dela trazendo o aspecto arroxeado da olheira — explica a dermatologista.
A pele também tem uma função protetora. Como ela recobre todo o organismo, torna-se a primeira barreira contra agressões externas e internas. Durante o sono, a circulação sanguínea se normaliza, o que proporciona regeneração e nutrição.
A privação de sono afeta também o funcionamento das mitocôndrias — estruturas presentes dentro das células humanas responsável pela respiração celular e produção de energia. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, mostrou que a redução ou o mal funcionamento das mitocôndrias está associado ao envelhecimento da pele e à perda de viço.
Há outros tipos de cremes antifadiga, produzidos a partir de algas vermelhas e com coenzima Q10, que atuam justamente aumentando a produção de energia nas mitocôndrias da pele.
— Os cosméticos trabalham na mitocôndria triplicando a produção de energia, melhorando a circulação sanguínea e as trocas de nutrientes, de forma que temos um aumento da eliminação de toxinas.
Precisamos dessa mitocôndria ativa para que haja produção de novos fibroblastos, que promovem a renovação celular da pele. Caso contrário, ficamos com uma aparência fadigada, cansada, com aspecto envelhecido e sem luminosidade — diz a farmacêutica Maria Eugênia Ayres, gerente técnica da Biotec Dermocosméticos.
Uso combinado
A dermatologista Mônica Aribi destaca que os cremes antifadiga funcionam — em média melhoram 30% do aspecto cansado —, mas não fazem milagre. Para potencializar seu uso é preciso dormir bem e diminuir a incidência de outros fatores estressores como má alimentação, baixa hidratação, exposição constante à poluição e ao sol.
—O tratamento antifadiga da pele pode até dar uma desacelerada nos efeitos do estresse e da privação de sono na pele, mas não resolve. O paciente precisa criar uma rotina mais saudável. É necessário um horário de descanso, pois é nesse tempo que a pele volta ao seu estado mais natural possível de circulação sanguínea e de absorção dos nutrientes. Quem dorme mal não aproveita bem os cremes.
A médica destaca também os impactos negativos do tabagismo na pele. O cigarro tem diversas substâncias nocivas que prejudicam a vascularização, não deixando que os nutrientes alcancem todas as partes da pele.
Antes de usar cremes antifadiga, a recomendação é procurar um dermatologista. Ao ser avaliado por um especialista, você pode ser comunicado que o melhor tratamento para o seu tipo de pele fadigada envolve outros procedimentos estéticos além do uso de cremes.
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