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Exclusivo: Brasil é maior mercado farmacêutico da América Latina

30 de outubro de 2024
Fonte: Portal Guia da Farmácia

Denise Turco

Você conhece o mercado farma na América Latina?

O segmento do varejo farmacêutico na região movimentou US$ 68 bilhões de dólares, com crescimento de 12,7% em julho de 2024 na comparação com os últimos doze meses. No período, foram movimentadas 12,7 bilhões de unidades, uma alta de 2,3%.

Do total de US$ 68 bilhões, as redes de farmácias representaram 58,8% no MAT 07/2024, uma expansão de 11,1% em relação ao MAT 07/2023. As independentes responderam por 41,2%, com crescimento de 15% no período.

“Isso mostra que, até 2023, detectamos um crescimento muito acelerado das independentes. Agora, as redes começam a retomar isso, apesar da concorrência. A concentração de redes em poucas cidades – no Brasil, por exemplo, são 1.100 cidades com a presença delas – , é bastante dura. Isso faz com que o crescimento em preço sofra algum freio”, explicou o vice-presidente corporativo do Close-Up International, Paulo Paiva, durante o “Outlook 2024 – Lapidando dados para gerar resultados”. O Guia da Farmácia acompanhou este evento promovido pela consultoria em São Paulo (SP), em outubro.

Na região, o Brasil é o maior mercado com 50,7% de participação, seguido de México (20,7%) e Argentina (10,4%). Os três países respondem por 82% do total latino-americano.

Considerando o crescimento em dólares, o mercado brasileiro sai na frente, com expansão de 13,3%. O México aparece logo atrás, com alta de 12%. No entanto, o destaque é a Colômbia, que registra expansão de 22,2%. “A razão disso é que o país tem um sistema de saúde bastante desenvolvido, com oferta de serviços, medicamentos e tratamentos por parte do governo e de empresas privadas”, disse Paiva.

No Brasil, a participação das redes de farmácias é de 57%, México 98% e Argentina com 34%. Já as independentes respondem por 43% no Brasil, 32% no México e 66% na Argentina. A maior concentração de redes é vista no Equador, Chile, Peru e Bolívia.

Participação de medicamentos

Na América Latina, o mercado de genéricos cresce rapidamente em unidades, mas lentamente em valor, porque a concorrência se dá por preço, segundo Paiva.

Na comparação entre o MAT 07/2024 e MAT 07/2023, a participação de medicamentos no mercado latino-americano ficou assim:

Similares: participação de 42%, com crescimento de 19%;

OTC: 21%, com crescimento de 18,8%;

Não-medicamentos: participação de 19%, crescimento de 14,2%

Medicamentos de referência (produto exclusivo): 12%, com alta de 3,9%

Genéricos: 7% de participação, com crescimento de 19% no período.

“Hoje temos um volume de medicamentos que são exclusividade ou protegidos por patente e que, a partir de 2025, começam a perder essas exclusividades. Então teremos um volume enorme de novos produtos lançados. Vemos isso nos mercados de diabetes, Sistema Nervoso Central (SNC) e oncologia, que serão impactados pela chegada de novos concorrentes”, revela o executivo.

Prescrição

Confira o ranking das 10 maiores indústrias do mercado de prescrição/retail na América Latina, segundo dados do Close-Up International:

1º     Eurofarma

2º     NC Farma

3º     Sanofi

4º     Novo Nordisk

5º     Roemmers

6º     Adium

7º     Astra Zeneca

8º     Bago Corp

9º     Abbott

10º   Novartis

Os produtos de prescrição que se destacam na região são:

Diabetes: Ozempic, Forxiga, Xigduo XR, Rybelsus, Saxenda, Glifage XR e Jardiance;

Sistema Nervoso Central: Venvanse;

Dor: Dolo-Neurobion;

Gastrointestinal: Enterogermina.

Análise

A América Latina representa hoje 2,3% do mercado farma global, o que significa um desafio atrair investimentos, na análise de Paiva.

“Quando caem os juros no mercado americano e sobra dinheiro no mundo, é possível atrair mais investimentos. Isso está acontecendo agora. Então temos um pipeline de lançamentos para a América Latina bastante relevante, assim como temos um pipeline de perda de exclusividade bastante relevante”, afirmou o executivo.

Há outros desafios mapeados que impactam a região, como o envelhecimento da população, que sobrecarrega o ambiente econômico e de saúde. “A grande dúvida é: como vamos sustentar todo esse grupo de pessoas que vai buscar cada vez mais o sistema de saúde sem ter uma disponibilidade de recursos?”, questionou Paiva.

Além disso, afirmou o executivo, a questão da prevenção precisa entrar de vez na agenda das empresas.

Projeções para mercado farma na América Latina

Para o período de 2025 a 2028, o Close-Up estima um crescimento de cerca de 4% ao ano em unidades. Nesse aspecto, o Brasil deve aumentar a sua participação em unidades, que chegará a 65,8% – a maior da região.

“Não temos grandes mudanças do ponto de vista econômico, nem do ponto de vista de acesso. Chegarão produtos com preço mais altos e que vão ter concorrência, seja de genéricos, seja de biossimilares. Alguma coisa desse tipo vai permitir um avanço em unidades”, analisou Paiva.

Em dólares constantes, o crescimento em torno de 7,5%, em 2025, diminui para cerca de 6,5% até 2028.  “Diminui no futuro, porque haverá uma perda de exclusividade em 2025, 2026 e 2027 e que vai dar uma estabilizada até 2028.

Teremos uma aceleração de crescimento em valores de 2025 para frente, mas, em 2028 essa aceleração já vai estar mais madura, uma situação de não expansão de mercado. E todos os concorrentes que chegam, se apresentam com preços menores. Então, o valor em dólares não vai seguir crescendo e acelerando como estava”, ponderou Paiva.

Depois de um crescimento de dois dígitos em 2023, o mercado diminui um pouco o ritmo quando analisado do ponto de vista de dólares (com inflação). “Não estimamos uma inflação maior nos Estados Unidos acima de 2,5%, que é o que estamos enxergando agora.

A redução de juros que foi feita expulsa capital do mercado americano e injeta capital no mundo; isso faz com que a gente não tenha uma grande expectativa de crescimento. O dólar não vai inflacionar o mundo, já que os EUA estão reduzindo juros. Então a gente vê um crescimento estável de 4% a 5% até 2028”, disse Paiva.

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