Mercado de canetas emagrecedoras no Brasil deve atingir US$ 9 bi em 2030, estima Itaú BBA
07 de janeiro de 2026Valor representa um crescimento médio anual de 40% em cinco anos.
Por Beth Koike , Valor — São Paulo
O mercado de canetas emagrecedoras (GLP-1) tem potencial para atingir US$ 9 bilhões até 2030 no Brasil, o que representa um crescimento médio anual de 40% em cinco anos. Hoje, esse segmento movimenta cerca de US$ 1,8 bilhão. A projeção é de analistas do Itaú BBA das áreas de saúde, consumo, alimentação e bebidas, que produziram um relatório conjunto para mensurar os impactos nessas áreas.
“O Brasil está prestes a se tornar um mercado global chave para GLP-1. A matemática é simples: alta prevalência de obesidade e indivíduos acima do peso (70% da população), amplificada por fatores culturais, os brasileiros se importam profundamente com a estética. Nossa pesquisa classifica o Brasil como o 2º maior mercado mundial para procedimentos estéticos — e 1º quando ajustado para a população adulta”, destaca trecho de relatório assinado pelas equipes lideradas por Rodrigo Gastim, Vinicius Figueiredo e Gustavo Troyano.
Nesse cenário, os analistas acreditam que o segmento de farmácias deve ser o mais beneficiado. O valor por ação dessas varejistas pode aumentar de 12% a 15% em 2027. Isso considerando que o GLP-1 passe a representar em 2030 cerca de 20% das receitas de Raia Drogasil, Pague Menos e Panvel, contra 8% a 9% atualmente.
Na outra ponta, empresas de alimentos atreladas a dietas indulgentes e ricas em carboidratos, bebidas alcoólicas e varejistas de alimentos podem enfrentar pressão incremental de volume. O Assaí já sinalizou que o uso das canetas emagrecedoras tem potencial para ser um obstáculo de crescimento.
A indústria farmacêutica e produtores de proteína também serão impactados à medida que os hábitos alimentares mudam.
Entre as farmacêuticas, a Hypera é vista pelos analistas como bem preparada para a era pós-patente do GLP-1, com potencial de valorização de 10% do lucro por ação em 2027 considerando um tamanho de mercado de R$ 8,4 bilhões (genéricos) em 2027 e uma participação de mercado de 15%.
No entanto, Gastim, Figueiredo e Troyano, do Itaú BBA, ponderam que “ainda há incertezas sobre o nível de concorrência e o impacto desse medicamento na lucratividade, já que a empresa precisará fazer investimentos significativos em representantes, conferências e consultas médicas enquanto acelera o produto.”
As empresas de alimentos e bebidas também estão no radar com a mudança no comportamento da população com o uso das canetas emagrecedoras. Devem ser impactados positivamente os grupos ligados à proteína em detrimento das empresas de alcoólicos e alimentos mais calóricos.
“A dieta surge como uma das mudanças comportamentais mais significativas entre os pacientes, com estudos mostrando reduções diárias na ingestão calórica de até 40% em certos grupos. Entre os segmentos de alimentos analisados nos EUA, as categorias de indulgência [ou seja, chips, confeitaria, biscoitos e outras] parecem as mais expostas, enquanto as proteínas podem se tornar vencedoras no longo prazo, dado o aumento da ingestão para mitigar a perda muscular durante o tratamento.”
Os analistas do Itaú BBA consideraram em suas projeções um total de 5,5 milhões de usuários de GLP-1 no Brasil até o ano fiscal de 2027 e uma redução mais agressiva na demanda em comparação com o que estudos nos EUA indicaram. Nesse cenário, o resultado financeiro de Ambev, Camil e M. Dias, em 2027, cairia cerca de 2%.
“Apesar da forte expectativa de crescimento da demanda pelo GLP-1, observamos que essas categorias estão, atualmente, excessivamente penetradas e cerca de 5 milhões de usuários de GLP-1, entre os cerca de 220 milhões de habitantes no Brasil, acabam limitando os principais impactos no fundo de lucro consolidado por enquanto”, destacam as equipes de analistas do banco. Os analistas dizem ainda que o GLP-1 tem remodelado silenciosamente parte do cenário da saúde.
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