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Mulheres na liderança impulsionam a agenda ESG no Brasil

28 de março de 2022
Fonte: Jornal Tribuna do Norte – RN

São Paulo (AE) - Mesmo com avanço nas discussões sobre a presença feminina em cargos de liderança, o processo de equidade de gênero no mercado de trabalho continua a passos lentos no Brasil.

Segundo levantamento da Teva Índices, apenas 14,1% dos assentos de conselhos de administração das companhias de capital aberto são ocupados por mulheres. A escassez de diversidade de gênero pode implicar em baixa performance dessas empresas nas pautas de ESG (sigla para meio ambiente, social e governança, em inglês).

Desde setembro de 2020, quando a Pague Menos entrou para a bolsa de valores, Patriciana Rodrigues ocupa o cargo de presidente do Conselho de Administração da rede de farmácias. Ela é uma das 26 mulheres que ocupam esse cargo no Brasil.

Outros 307 postos de presidência de conselhos de administração de empresas brasileiras listadas na bolsa são ocupados por homens.

Rodrigues afirma que já teve de reafirmar sua posição. "Depois de uma trajetória como diretora comercial da Pague Menos, eu já sentei na mesa com diretores de multinacionais que ficaram perguntando que horas chegaria o chefe. Eu respondi: "A chefe sou eu. É comigo que você vai negociar", relembra Patriciana.

Independentemente do cargo que ocupam, Patriciana diz que as mulheres costumam carregar mais de uma responsabilidade além do trabalho. Se a necessidade partisse de um homem, ela crê que a postura das pessoas no trabalho seria diferente. "Poderiam dizer: 'Isso que é um pai'. É como se fosse uma tarefa extra curricular para o homem ou um ponto a mais, enquanto para nós é uma questão de organização."

Segundo os dados da Teva Índices, as empresas brasileiras de capital aberto estão longe de alcançar a equidade de gênero. O levantamento mostra que 14,1% dos assentos do conselho de administração são ocupados por mulheres. Além disso, os outros órgãos de liderança, como os conselhos fiscais e diretorias, não têm mais do que 20% de mulheres sobre o total de participantes.

Na avaliação de Mell Dior, analista da Avenue Securities, o retrato atual mostra a visão que a sociedade tem da mulher. "Temos uma concepção de que as mulheres ou são mãe de família ou são bem sucedidas", afirma Dior. Por causa dessa perspectiva, as mulheres precisam entregar muito mais resultados para serem destaques e reconhecidas. "Uma mulher para chegar em um lugar de destaque precisa ter feito algo excepcional e ser impecável. Para o homem, basta ser comum", acrescenta.

FUTURO
Apesar do cenário repleto de desafios, Dior é otimista sobre o processo de equidade de gênero no Brasil. No entanto, para que a conquista de espaço da mulher seja ainda maior para os próximos anos, ela acredita que exemplos são necessários. "Algumas mulheres desbravaram os caminhos para a gente não passar pelos mesmos assédios e preconceitos. Por isso, a necessidade de exemplos é muito grande", diz Dior.

O problema é que alguns exemplos nem sempre recebem a visibilidade necessária da sociedade. "Não significa que não existem mulheres em cargos de liderança, mas os destaques e as premiações são destinadas mais para os homens", afirma Ana Melo, head de diversidade e inclusão da XP.

A baixa representatividade feminina no mercado de capitais pode implicar na fraca performance na agenda ESG. É o que mostra um estudo feito por Monique Cardoso, mestre em Gestão para Competitividade pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O trabalho, publicado no primeiro semestre de 2021, analisou a relação da política de diversidade de gênero com os princípios de governança e socioambientais.

O estudo apontou que 52% das empresas de capital aberto com alta pontuação em ESG têm mulheres nos cargos de diretoras. Já nas companhias com baixa pontuação em ESG, a presença feminina no mesmo posto de liderança correspondeu a 48%.

Há 17 anos no mercado financeiro, Carol Paiffer, CEO da Atom Educacional, é referência para quem deseja seguir a carreira de trader. Paiffer relata a experiência de ter se tornado referência em um ambiente de maioria masculina.

Paiffer ainda aponta que apesar da participação de mulheres na Bolsa de Valores brasileira ser de 23,54%, segundo dados de fevereiro deste ano, ainda é necessário muito trabalho de incentivo para buscar a igualdade. “É importante dizer que o conhecimento liberta. Quando você entender o investimento que está fazendo, é possível montar uma estratégia”, destaca.

EGS é prioridade para 95% das empresas
No futuro, uma das questões mais importantes para as empresas é o foco e as ações relacionadas à sigla ESG, que deverão aumentar de forma considerável nos próximos anos. Essa tendência é apontada no estudo "ESG e sua Comunicação nas Organizações no Brasil", realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).

O levantamento destaca ainda a Governança Corporativa como ponto ESG mais importante, tanto nos dias atuais quanto nos próximos anos. Em seguida, aparecem os fatores ambiental e social.

A pesquisa - considerada como uma das mais completas para o segmento de ESG - aborda questões cujo objetivo é mapear a comunicação e as práticas corporativas vigentes nas empresas no Brasil dentro dos pilares ambiental, social e de governança corporativa. O trabalho foi realizado junto a 79 organizações associadas e não associadas à entidade.

"Nos últimos anos, a pauta ESG ganhou força nos mercados financeiros em todo o globo. E no Brasil isso não foi diferente, pois tem o intuito de explorar as múltiplas interfaces dos três pilares com a comunicação organizacional e as complexas interações entre os diversos agentes envolvidos no tema, dentro e fora das organizações", enfatiza Hamilton dos Santos, diretor geral da Aberje.

O estudo aponta que o tema ESG está presente como prioridade na grande maioria das empresas. Segundo o levantamento, 95% das empresas consultadas colocaram essa preferência em suas agendas corporativas.

Prova disso, 67% das organizações participantes do levantamento têm estrutura formal responsável pelo acompanhamento e gestão destas questões. Em relação a todo esse esquema estrutural montado nas empresas, 51% delas têm reporte direto de subordinação à presidência/CEO da organização.

Na pesquisa, também é possível entender quais metas ou objetivos para as iniciativas de sustentabilidade são definidas pelas organizações. As principais são as mudanças para reduzir o consumo de água (77%); a definição de metas e objetivos para as iniciativas de sustentabilidade (75%); e substituição de fontes de energia (75%).

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