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Nem cigarros nem vape: alertam sobre os riscos de uma nova modalidade de tabaco sem fumaça

30 de janeiro de 2026

Especialista critica a indústria do tabaco; 'depois da heroína e da cocaína, a nicotina é a substância mais viciante que temos', afirma

 

Por La Nacion

Diante do alerta sobre a expansão do tabaco sem fumaça, o reconhecido toxicologista Carlos Damin visitou os estúdios da LN+, onde analisou os riscos de uma nova tendência que vem conquistando cada vez mais jovens: o consumo de bolsas de nicotina.

 

Além disso, ele mencionou os pontos cinzentos que existem em torno da comercialização desse produto.

— Depois da heroína e da cocaína, a nicotina é a substância mais viciante que temos — afirma Damin. — E essas bolsinhas são um produto que as indústrias do tabaco oferecem com uma armadilha, porque usam o slogan de redução de danos, quando, na realidade, isso não é verdade — acrescenta.

 

— Quando bem aplicada, essa política é adequada. Mas neste caso isso não ocorre, porque o produto não é oferecido apenas a quem busca reduzir o consumo de nicotina, e sim também ao público adolescente e jovem, para promover a entrada no tabagismo — argumenta o especialista.

 

Vício, euforia e ansiedade

Ao citar os principais riscos do consumo, o toxicologista enumera:

— Como a nicotina se dissolve rapidamente na saliva, a dependência é instantânea, provocando episódios de euforia e ansiedade. Cada bolsinha equivale, em nicotina, a entre oito e dez cigarros. Ou seja, é possível consumir a nicotina de um maço inteiro com apenas duas bolsinhas. É um absurdo — analisa Damin.

 

Apesar do sabor agradável, o especialista esclarece que:

— Elas têm impacto direto em áreas específicas do corpo, como o cérebro e o coração. Além disso, alteram a relação neuronal. Outro ponto é que, como não há combustão no consumo, as bolsas de nicotina não afetam tanto os pulmões — detalha.

 

Sobre o acesso do público às bolsas de nicotina, Damin afirma:

— Elas são vendidas em todos os quiosques: não estão autorizadas, mas também não são proibidas.

Sobre a apresentação do produto, ele observa:

— Vêm em potes achatados, como se fossem estojos de balas ou pastilhas.

Questionado sobre a forma de consumo, o especialista explica:

— As pessoas rompem as bolsinhas com os dentes, deixando todo o pó entre a gengiva e o lábio.

Outro aspecto destacado pelo profissional é que:

— Elas não têm cheiro nem deixam odor.

— É preciso rever a legalidade do tabaco. Hoje, na Argentina, existe uma lei que restringe o consumo de tabaco e seus derivados, como a nicotina. Mas essa lei não é cumprida — diz Damin.

 

Ao aprofundar os pontos cinzentos da comercialização, Damin afirma:

— Querem vender essas bolsas de nicotina como se fossem guloseimas, mas isso é um engano. Trata-se de um produto claramente prejudicial à saúde.

 

Na mesma linha, ele acrescenta:

— Elas se assemelham ao chiclete de nicotina, com a diferença de que o chiclete não tem sabor agradável. Além disso, ele é vendido como medicamento. Assim como os adesivos, pode ter efeito positivo, mas exige acompanhamento médico.

 

— Em conclusão, esse produto é zero positivo. Em muitos casos, essas bolsinhas transformam pessoas em dependentes de nicotina e se tornam uma tentação para crianças e adolescentes — estratégia que só a indústria do tabaco poderia imaginar — conclui Damin.

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