Pague Menos reverte prejuízo no 1º tri, cresce acima do mercado e projeta lucro de R$ 350 mi
06 de maio de 2026Companhia esclareceu que um benefício tributário no Estado do Ceará adicionou cerca de R$ 6 milhões ao lucro líquido do trimestre.
Por Vitória Nascimento, Valor — São Paulo
A Pague Menos registrou um desempenho elevado no 1º trimestre de 2026, marcado por uma reversão de resultados e ganho de eficiência operacional. A rede de farmácias reportou crescimento de 14,4% na receita bruta, com as vendas mesmas lojas avançando 13%, patamar que representa mais de três vezes a inflação do período.
O bom momento operacional levou a companhia a projetar números otimistas para o futuro próximo. Durante a teleconferência de resultados realizada nesta terça-feira, o presidente da empresa, Jonas Marques, destacou que o lucro líquido acumulado nos últimos 12 meses já atinge quase R$ 350 milhões. Além disso, a Pague Menos está próxima de atingir sua meta de R$ 850 mil de venda média mensal por loja.
A companhia alcançou 6,7% de participação de mercado nacional, um recorde histórico consolidado por avanços em quase todas as regiões onde atua, com exceção do Sul. O diretor financeiro Luiz Novais enfatizou que a empresa cresceu significativamente acima da média do setor. “Crescemos 12,6% em mesmas lojas comparado com o mercado, enquanto eles cresceram somente 8,2%”, afirmou, ressaltando a consistência dos resultados operacionais.
Um dos motores desse crescimento foi a categoria de genéricos, que saltou 23% no trimestre – dez pontos percentuais acima da média da companhia. Marques reforçou a importância desse segmento, especialmente no Norte e Nordeste, onde a rede detém mais de 22% de participação de mercado.
A categoria de medicamentos para diabetes e controle de peso (GLP-1) continua ganhando relevância, já respondendo por 9,1% da receita bruta da Pague Menos. Novais explicou que a alta nos estoques no trimestre reflete tanto a maior demanda por esses fármacos quanto o abastecimento do novo centro de distribuição (CD) na Paraíba, inaugurado em março.
A expectativa é que o novo CD gere ganhos de margem bruta a partir do terceiro trimestre, devido a uma carga tributária mais favorável para o abastecimento de Estados vizinhos. "Com a introdução do CD da Paraíba, teremos um efeito positivo bastante relevante na margem da companhia", projetou o diretor financeiro. Marques também vê um potencial transformador com a futura chegada de versões genéricas e similares do GLP-1, o que deve ampliar o acesso à saúde nessas regiões.
No campo fiscal, a companhia esclareceu que um benefício tributário no Estado do Ceará adicionou cerca de R$ 6 milhões ao lucro líquido do trimestre. Para os próximos meses, a Pague Menos projeta uma maior diluição de despesas, mantendo o foco em produtividade.
Apesar do otimismo, a diretoria comentou sobre os possíveis impactos de mudanças na legislação trabalhista, como o fim da escala 6x1. Novais disse que, se aprovada, a medida terá um impacto relevante que as margens do setor não conseguem absorver. “Eventualmente, se isso não for possível compensar com esses elementos [eficiência], acho que não só a gente, o mercado inteiro vai precisar repassar para preço”, afirmou o diretor financeiro.
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