Por que Brasil teve em 2025 segunda maior saída de dólares desde 1982
09 de janeiro de 2026Saldo negativo em moeda americana em dezembro passado não alcançou o mesmo mês de 2024, mas acumulou US$ 33,3 bilhões no ano passado.
Marta Sfredo
A usual saída de dólares do Brasil no final do ano desacelerou em dezembro de 2025 e atingiu US$ 13,6 bilhões, praticamente metade dos US$ 27 bilhões que "fugiram" do país no mesmo período de 2024, episódio que ajudou a levar a moeda americana a R$ 6. Não se confirmou o cenário de que as remessas a matrizes de multinacionais que operam no país poderiam alcançar US$ 35 bilhões no último mês do ano por proteção à tributação de dividendos, que passou a vigorar neste ano, mas a antecipação ajudou a acentuar a saída.
Ainda assim, o ano passado teve o segundo pior desempenho em fluxo cambial da série histórica, iniciada em 1982. O saldo negativo atingiu US$ 33,3 bilhões, volume inferior apenas ao registrado em 2019, quando a saída acumulou US$ 44,8 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC).
Além do aumento "preventivo" à tributação de dividendos, o aumento no fluxo de dólares para o Brasil também condicionou o maior saldo negativo. Com muitos investidores estrangeiros fazendo "carry trade" – financiando-se em países com juro baixo para aplicar em mercados de taxa elevada, caso do Brasil –, em algum momento ao menos parte dos ganhos saem para remunerar a aplicação.
No canal de operações financeiras, o fluxo negativo chegou a US$ 82,5 bilhões, pouco atrás da evasão cambial recorde por esse meio em 2024, de US$ 87,6 bilhões. A entrada de dólares pela via comercial, que inclui, dentre outros fatores, exportações e importações, perdeu ritmo e fechou o ano em US$ 49,2 bilhões, puxada pelo aumento das compras nacionais.
Apesar da forte saída de dólares, o real e a bolsa de valores brasileira registraram em 2025 seus melhores resultados desde 2016. O bom humor do mercado financeiro doméstico se apoiou na elevada taxa Selic e na queda da cotação da moeda americana no Exterior.
O diferencial de juros — 15% no Brasil e 3,75% nos EUA no final do ano passado — impulsionou a busca por ativos brasileiros por conta do chamado "carry trade". Nesse modelo, investidores tomam dinheiro emprestado a juro baixo e aplicam em países onde a remuneração só da taxa é mais alta, ainda que com risco maior.
*Colaborou João Pedro Cecchini
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