Rappi testa entrega de medicamentos com estoque próprio
12 de fevereiro de 2026Movimento é criticado por associação das farmácias, que ameaça ir à Justiça contra a plataforma de entrega
Por Vitória Nascimento — De São Paulo
A Rappi inicia neste mês a operação piloto do Turbo Farma, sua nova vertical de entregas ultrarrápidas (até 10 minutos) focada no setor farmacêutico. O movimento marca uma mudança tática na companhia, que deixa de atuar apenas como intermediária de grandes redes para operar o segmento de forma verticalizada, utilizando estoque próprio e unidades exclusivas para o delivery (“dark stores”). O movimento já gerou reação das farmácias, que ameaçam processar a plataforma.
O projeto integra o plano de investimentos de R$ 1,4 bilhão anunciado em 2025 para três anos. Segundo o CEO da Rappi no Brasil, Felipe Criniti, a aposta em farmácias se deve ao tamanho do mercado - estimado em R$ 240 bilhões em 2025 -, às margens superiores às dos supermercados e à recorrência, de cerca de um pedido semanal por usuário.
“Se você disser qual seria a principal alavanca de crescimento no Brasil hoje, ela está ancorada na modalidade Turbo”, afirmou o executivo ao Valor. Segundo Criniti, a verticalização é a única forma de garantir a promessa de 10 minutos, já que farmácias abertas ao público não têm operação adaptada para separação de pedidos em cerca de 1,5 minuto.
O Turbo Farma funciona em áreas isoladas de 18 m2 dentro das lojas da empresa. A iniciativa, porém, deve enfrentar uma batalha jurídica.
Sérgio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), classifica o modelo como ilegal, citando a Lei 5991/73 e a RDC 44 da Anvisa. Segundo ele, a venda de medicamentos no país é exclusiva de farmácias com “porta aberta ao público”.
“É um escárnio contra a estrutura sanitária. A Abrafarma vai contestar judicialmente assim que a operação começar”, afirmou Barreto, que também questiona a promessa de entrega de medicamentos controlados, prevista pela Rappi ainda para este ano.
A Rappi defende a conformidade do modelo, assegurando que as unidades têm licença do órgão regulador, a Anvisa, controle de temperatura e farmacêuticos responsáveis. O sortimento inicial reúne 1.200 itens, principalmente medicamentos isentos de prescrição e produtos de higiene, com meta de chegar a 5 mil até o fim de 2026. A venda de medicamentos controlados depende de validação tecnológica e regulatória.
A operação atende um raio de até 2 km. A Rappi mantém o modelo de entregadores independentes e afirma selecionar profissionais mais experientes para a modalidade. Para sustentar o prazo, a empresa usa inteligência artificial para prever demanda e antecipar o deslocamento de entregadores às lojas. Segundo Criniti, o sistema não aplica penalidades por atraso.
A modalidade Turbo soma 38 lojas em oito cidades do Brasil e deve expandir o braço de farmácias ao longo de 2026, quando a empresa também pretende testar a entrega de alimentos prontos.
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