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Taxa Selic: como guerra e risco de inflação maior pesam na decisão do Copom nesta quarta-feira

29 de abril de 2026
Fonte: Jornal Zero Hora – RS

Projeções apontam leve corte na taxa, de 0,25 ponto percentual, colocando o juro básico em 14,5% ao ano.

 

ANDERSON AIRES

 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide a nova taxa básica de juros do país nesta quarta-feira (29). As projeções apontam leve corte, de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic a 14,5% ao ano.

 

Boa parte do mercado aposta nessa redução cautelosa. No entanto, com a guerra do Oriente Médio ainda como pano de fundo, a porta para manutenção da Selic em 14,75% ou sinalização de postura mais rígida nos próximos encontros segue aberta.

A reunião ocorre em um ambiente marcado pelo prolongamento da tensão militar entre Estados Unidos, Israel e Irã, que pressiona o setor de energia, pelo risco de a inflação brasileira estourar o teto da meta e por câmbio mais comportado.

 

Abaixo, veja os fatores que rondam o encontro do Copom nesta semana.

Guerra

Inflação

Endividamento

Câmbio

Comunicado

 

Guerra

O prolongamento da guerra, com tráfego de embarcações ainda prejudicado no Estreito de Ormuz e danos estruturais em refinarias, acende alerta mundial para possíveis embaraços em ramos como combustíveis e fertilizantes. Qualquer problema nessas cadeias pressiona preços de frete, alimentos e outros bens. E isso tende a repercutir na inflação. Primeiro via combustíveis. Em seguida, nos preços dos itens transportados.

 

No encontro de março, os integrantes do Copom já citavam o cenário externo “mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”.

 

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, destacou o conselho em nota na época. Agora, resta saber como o Copom vai atualizar a precificação da guerra dentro dos fatores de risco e se isso prejudica ou não a continuidade dos cortes no juro.

 

Inflação

Um dos fatores que mantém o Copom vigilante é a ameaça de saltos mais expressivos no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país. Com a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã se estendendo, sem acordos efetivos, a ameaça da inflação segue no radar. — Entre os riscos observados, destacamse as pressões inflacionárias oriundas do conflito entre EUA e Irã, principalmente via aumento dos preços de combustíveis, o que gera efeitos ao longo de toda a cadeia produtiva — destaca Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos.

 

Em 16 de março, semana da última decisão do Copom, o relatório Focus, do BC, projetava IPCA fechando 2026 em 4,10% — ainda dentro do teto da meta (4,5%). Na última segunda-feira, o boletim estimava o indicador em 4,86%.  No entanto, o efeito da guerra na inflação brasileira parece ser moderado por enquanto. Isso atenua um pouco o risco dentro das análises do Copom, segundo parte dos analistas.

 

Por exemplo, o IPCA-15 de abril, considerado a prévia de inflação, divulgado nesta quarta-feira (28), apresentou alta de 0,89%, abaixo do esperado.

 

— Até o momento, no entanto, o choque inflacionário não foi suficiente para levar o IPCA de março ou o IPCA15 de abril para fora da faixa de tolerância da meta. Além disso, há sinais de estabilização no preço internacional do petróleo e o dólar segue uma tendência recente de queda, afastando riscos de deterioração maior na inflação — complementa Santos.

 

Endividamento

Se de um lado a continuidade da guerra no Oriente Médio e o sinal amarelo para salto da inflação bancam atuação mais firme do Copom, de outro, o aumento do endividamento e da inadimplência destacam o custo de Selic alta. Juro em patamar elevado por muito tempo desestimula a economia e aumenta o risco de problemas financeiros para famílias e empresas. Isso porque as dívidas e os atrasos em pagamentos rodam com taxas mais elevadas, que geram um cenário de bola de neve. Portanto, o corte do juro poderia aliviar esse ambiente.

 

— Esses cortes têm impacto positivo sobre o endividamento, ao reduzir o custo da dívida para o governo, empresas e famílias. Avaliamos que um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pode gerar efeitos positivos na economia sem comprometer o controle da inflação, desde que o Copom continue reforçando, na sua comunicação, uma postura técnica e cautelosa — avalia o economista do Sistema Ailos.

 

Ou seja, Santos avalia que, mesmo com um eventual corte, o Copom não daria sinais de menor compromisso com o controle da inflação. Isso porque a política monetária seguiria contracionista, reduzindo o risco de pressão inflacionária via demanda e, como efeito secundário, ajudando a aliviar o quadro de inadimplência.

 

Câmbio

O câmbio também apresenta certa descompressão. Em março, na época da última reunião do Copom, o dólar estava na casa dos R$ 5,20. Nesta semana, a moeda americana gira abaixo de R$ 5 na esteira do aumento das incertezas que rondam o segundo mandato de Donald Trump e desvalorizam o dólar no mundo.

Ainda não está claro quanto tempo o câmbio seguirá nesse patamar, mas o real mais valorizado pode ajudar a amortecer altas em alguns itens consumidos pelos brasileiros, contribuindo para amenizar repiques da inflação.

 

Comunicado

As atenções também estarão voltadas para o comunicado que acompanha a decisão do colegiado, se vai antecipar algo das próximas reuniões ou manter cautela enquanto o conflito no Oriente Médio segue sem resolução.

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