Varejo brasileiro chega a NY de olho em IA e futuro das lojas
09 de janeiro de 2026País tem a maior delegação estrangeira na feira da NRF, que terá de convencer com efeitos mais práticos da inteligência artificial.
Por Adriana Mattos — De São Paulo
Num ano que já começou tumultuado, e com eleições presidenciais e parlamentares na agenda global, como o consumo vai reagir às incertezas políticas? A inteligência artificial (IA) conseguirá dar fôlego novo ao ambiente geral nessas horas e, realmente, aprimorar o momento da compra?
A partir deste domingo (11), começa oficialmente a maior feira de varejo do mundo, a NRF 2026 Retail’s Big Show, em Nova York, nos EUA, cuja maior delegação estrangeira é a brasileira, com cerca de 2,5 mil inscritos neste ano (mesmo número do ano passado), de um total de 40 mil visitantes, com palco específico apenas para IA, pela primeira vez na história da edição. O intuito é tirar o debate do campo da teoria e colocar o tema dentro da rotina dos negócios.
Isso cresce em importância porque uma análise prévia do teor das palestras mostra que mesmo empresas americanas ainda parecem tatear em determinados projetos, apesar de estarem convencidas dos retornos.
Numa das sessões, no domingo, da Impact Analytics, de serviços de tecnologia, será mencionado que 90% dos projetos de IA no varejo não têm dado certo ainda por não ganharem escala, mas aqueles que já chegaram lá têm retorno de US$ 3,50 para cada US$ 1 investido, segundo material da palestra. No mesmo dia, de forma inédita, John Furner, CEO do Walmart nos EUA, e Sundar Pichai, CEO da Alphabet, dona do Google, estarão juntos num palco para falar de IA. O Valor deve cobrir a feira pelo segundo ano seguido, com informações diárias no site e nas redes sociais do jornal.
Evolução do ponto físico, especialmente das marcas premium, volta ao debate com força, assim como a experiência na loja. A NRF, sigla de National Retail Federation, e que apelida o evento realizado desde 1911, é a maior federação de varejo do mundo.
Por conta da grade com 350 palestrantes - são sessões diversas e consecutivas a cada meia hora até o dia 13 - também entrarão na pauta o futuro das cadeias de supermercados e diferenças de hábitos entre gerações, e “cases” de marcas estão previstos na agenda - empresas referência, como a Abercrombie & Fitch, abrirão detalhes de crises de imagens vividas recentemente.
Sobre inteligência artificial, as grandes varejistas de capital aberto têm se mexido em temas que vão da gestão de estoque no depósito, projeções de demanda e de pedidos à forma como um robô de IA “fala” com o comprador. Nesse grupo estão os mais avançados projetos de redes brasileiras como C&A, Magazine Luiza e as estrangeiras Shopee, Temu e Amazon. Só que a grande massa segue ainda testando caminhos a passos curtos.
“IA deve ser o tema central da NRF, não só com aplicações mais práticas, mas principalmente mais eficazes”, diz Marcos Gouvêa, diretor geral da Gouvêa Ecosystem, há 40 anos frequentador da NRF e líder de uma delegação.
“Ninguém vai sair espetando agentes de inteligência artificial em tudo de uma vez, porque não é nada trivial, há questões de segurança, compliance e governança. Só que veremos mais camadas de aplicações agora”, afirma Alberto Serrentino, sócio e fundador da Varese Retail, que será um dos brasileiros palestrantes (a empresa levará 60 CEOs para Nova York).
No entendimento de executivos e empresários brasileiros já presentes na feira - há eventos prévios nesta semana -, o Brasil acelerou a implementação de ações de um ano para cá, porém ainda precisa avançar na gestão de software e hardware, na arquitetura de dados, e na gestão das informações que as redes vão capturando de clientes, algo central para que a IA rode de forma eficiente. Isso é crucial para criar um sistema de comunicação fácil e sem ruído com o cliente, pelos “prompts” (os sistemas da AI) por onde todo o processo de venda passa.
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