Varejo brasileiro recua 1% em 2025, aponta Cielo
09 de janeiro de 2026Pressionado pela inflação, setor de Varejo registra segunda queda real consecutiva.
Roberto Fonseca
O varejo brasileiro encerrou 2025 com queda real de 1,0%, descontada a inflação, apesar do crescimento nominal de 4,1% no faturamento. Os dados são do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), elaborado pela Cielo. Este é o segundo ano consecutivo de retração real do setor. Em 2024, a queda havia sido de 0,8%.
O resultado reflete um cenário de consumo mais cauteloso, influenciado pelo impacto acumulado da inflação, especialmente no primeiro semestre. Embora os preços tenham desacelerado ao longo da segunda metade do ano, o alívio não foi suficiente para reverter o desempenho negativo no acumulado de 2025.
Todos os principais macrossetores registraram desempenho negativo em termos reais. O setor de Serviços recuou 1,9% no ano, com destaque negativo para Alimentação – Bares e Restaurantes. Em contrapartida, Turismo e Transporte apresentaram crescimento, impulsionados pelo aumento do fluxo de turistas estrangeiros, novas rotas internacionais e grandes eventos realizados no país.
O macrossetor de Bens Não Duráveis teve retração de 0,2%, sustentado principalmente por Drogarias e Farmácias, enquanto Livrarias e Papelarias lideraram as quedas. Já Bens Duráveis e Semiduráveis recuaram 2,6%, mesmo com o desempenho positivo de Móveis, Eletro e Lojas de Departamento, que ajudou a atenuar a queda do grupo. O pior resultado ficou com Óticas e Joalherias.
E-commerce sustenta parte do varejo em 2025
Ao longo de 2025, o e-commerce se consolidou como um dos principais pilares de sustentação do varejo brasileiro. O canal digital apresentou desempenho superior ao das vendas presenciais, beneficiado pela busca por conveniência, maior comparação de preços e pela reação de categorias mais sensíveis à taxa de juros.
"Mesmo com um cenário desafiador, o e-commerce manteve ritmo acelerado e ajudou a sustentar o varejo. Apesar da inflação mais baixa no segundo semestre, o impacto do início do ano limitou o ganho real, mas setores como turismo e transporte sinalizam oportunidades para 2026", afirma Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo.
No quarto trimestre de 2025, o varejo registrou queda real de 1,8%. O setor de Serviços recuou 3,9%, enquanto Bens Duráveis e Semiduráveis caíram 4,2%. Bens Não Duráveis apresentaram maior resiliência, com crescimento real de 0,2% no período.
Em dezembro, a retração real foi de 1,9%, influenciada pelo efeito calendário e pela migração do consumo para o ambiente digital. O e-commerce cresceu 6,0% em termos nominais no mês, enquanto o varejo físico avançou apenas 0,1%.
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