Velhos desafios ameaçam nova alta do PIB per capita
01 de junho de 2026País ruma para terceiro ano de avanço do indicador, mas baixa produtividade é desafio.
Por Rafael Rosas — Do Rio
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita segue em 2026 a trajetória de crescimento dos últimos anos, mas o avanço continua limitado pela baixa produtividade da economia. Cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) apontam um PIB per capita de R$ 60.526 este ano, uma alta de 1,4% frente ao ano passado. O resultado indica a segunda desaceleração seguida, depois de um crescimento de 3% em 2024 e uma alta de 1,8% no ano passado.
Na sexta-feira (29), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou as Contas Nacionais Trimestrais do primeiro trimestre, que mostraram alta de 1,1% do PIB do país em relação aos últimos três meses de 2025.
O resultado do PIB per capita projetado para 2026 indica mais um patamar recorde da série iniciada em 1980. Até a pandemia, o pico havia sido em 2013, com R$ 57.300 - a série tem como base de cálculos os preços constantes de 2025. Esse patamar só foi superado em 2024, com R$ 58.521 e desde então apresenta avanços anuais. Com base nos resultados, Silvia Matos, pesquisadora sênior de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e coordenadora do Boletim Macro Ibre, projetou o PIB per capita do país para este ano.
Com base no resultado do ano passado, quando houve alta de 1,8% do PIB per capita, Matos decompôs o dado. Desse total, a taxa de ocupação em níveis historicamente altos contribui com 1 ponto percentual para o resultado final, seguido pela produtividade por hora trabalhada, com 0,4 ponto percentual. A jornada média adicionou outro 0,2 ponto percentual, e a taxa de participação e o bônus demográfico, mais 0,1 ponto percentual cada.
Matos explica que, em termos de peso nas composições, o resultado deste ano deve ser parecido com o de 2025. Ela acrescenta que, uma vez que a população não cresce mais no ritmo de décadas passadas, a alta do PIB per capita dependerá cada vez mais da produtividade.
“A produtividade está mais relacionada às pessoas e ao ambiente. E o Brasil é ruim em ambos. É ruim na qualificação das pessoas, as universidades são desconectadas da realidade. Temos problemas, como benefícios que criam distorções em vários setores”, afirma. “O padrão de crescimento é intensivo na mão de obra e não na produtividade.”
Para ela, outro ponto de alerta está atualmente nos elevados níveis da taxa de ocupação. Na semana passada, o IBGE mostrou que a taxa de desemprego ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril, o menor percentual para o período.
“O Brasil tem pouca produtividade e muito emprego. Muito limão e pouca limonada. Se crescer, vai conseguir mão de obra onde? Vai ter que pagar mais e aí gera inflação.”
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